Infeções bacterianas afetam proliferação de neurónios no feto

Estudo publicado na revista “Cell Host & Microbe”

15 março 2016
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Investigadores americanos descobriram como partes da parede celular bacteriana atravessam a placenta e entram nos neurónios em desenvolvimento, alterando a anatomia do cérebro do feto e o funcionamento cognitivo após o nascimento, revela um estudo publicado na revista “Cell Host & Microbe”.
 
O estudo levado a cabo pelos investigadores do Hospital de Investigação Pediátrica de St. Jude, nos EUA, aponta para um possível mecanismo que poderá explicar a associação entre as infeções bacterianas maternas e o aumento do risco de autismo e de outros problemas cognitivos nas crianças. 
 
O estudo demonstrou, pela primeira vez, que partes da parede celular bacteriana atravessam a placenta e desencadeiam a proliferação de neurónios imaturos no cérebro do feto. A proliferação parece ser desencadeada por uma via previamente envolvida no sistema imune inato e uma proteína que regula a expressão genética. A proliferação conduziu a um aumento de 50% de neurónios numa região de desenvolvimento do cérebro que dá origem ao córtex, responsável pelo raciocínio, ação e outras funções complexas.
 
Os investigadores também verificaram que a exposição dos ratinhos à parede celular bacteriana, no início do desenvolvimento fetal, fez com que estes animais apresentassem, mais tarde, função cognitiva e da memória abaixo da média. Verificou-se ainda que o tratamento da infeção materna com o antibiótico penicilina, que destrói as bactérias e conduz à presença de partes da parede celular bacteriana na corrente sanguínea, conduziu a um aumento semelhante dos neurónios.
 
Na opinião de uma das autoras do estudo, Elaine I. Tuomanen, estes resultados levantam questões sobre a classe de antibióticos que deve ser utilizada para tratar as infeções bacterianas durante a gravidez. 
 
“O estudo sugere que os antibióticos como a ampicilina, que rebentam as bactérias e libertam a sua parede celular, podem conduzir a alterações no desenvolvimento do cérebro. Estas alterações não ocorreram nos ratinhos tratados com antibióticos como a clindamicina, que mata sem que ocorra a libertação da parede celular”, acrescentou.
 
Elaine I. Tuomanen defende que são necessários mais estudos para perceber o impacto que as diferentes classes de antibióticos têm, a longo prazo, na gravidez. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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