Infeções aumentam risco de doença celíaca na infância

Estudo do Instituto Norueguês de Saúde Pública

30 setembro 2015
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As crianças com infeções frequentes nos primeiros 18 meses de vida apresentam um risco aumentado de desenvolverem doença celíaca mais tarde na infância, comparativamente com aquelas que têm poucas infeções.  
 
A doença celíaca é uma doença imunológica desencadeada pelo glúten, uma proteína encontrada no trigo, centeio e cevada. Nas últimas décadas tem havido um aumento na prevalência da doença celíaca e acredita-se que um por cento da população nos países ocidentais, incluindo a Noruega, sofra da doença. O aumento da ocorrência da doença celíaca, conjuntamente com os resultados de estudos individuais, indicam que os fatores ambientais desempenham um papel significativo no desenvolvimento da doença. No entanto, para além do glúten os fatores ambientais que desencadeiam esta doença são em grande parte desconhecidos.
 
A investigação imunológica tem sugerido que as infeções podem possivelmente ser um fator de risco para o desenvolvimento da doença celíaca. Estudos populacionais têm sugerido que as crianças admitidas no hospital devido a uma infeção são mais suscetíveis de desenvolver doença celíaca mais tarde ao longo da infância. Contudo, ainda não se sabe ao certo se esta associação está relacionada com a infeção em si, ou se a admissão no hospital conduz a aumento de testes para a doença celíaca.
 
Foi neste contexto que os investigadores do Instituto Norueguês de Saúde Pública decidiram avaliar a relação entre a frequência da infeção nos primeiros 18 meses de vida e o risco de doença celíaca na infância.
 
O estudo inclui a participação de 72.021 crianças norueguesas nascidas entre 2000 e 2009. Ao longo dos primeiros 18 meses de vida foi recolhida informação relativamente a infeções respiratórias e gastrointestinais. As crianças que desenvolveram doença celíaca foram identificadas através de questionários parentais.
 
O estudo apurou que após uma média de 8,5 anos de acompanhamento, 581 crianças desenvolveram doença celíaca. Observou-se que as crianças com 10 ou mais infeções ao longo dos primeiros 18 meses de vida tinham um risco relativo de doença celíaca 30% maior, comparativamente com as crianças com menos de cinco infeções.
 
O estudo apurou que havia um aumento consistente do risco relativo de doença celíaca no caso de infeções até aos seis meses e entre os seis e os 18 meses de idade, bem como um aumento do risco em crianças com infeções respiratórias recorrentes comparativamente com aquelas com infeções gastrointestinais repetidas.
 
"Achamos que há muitas peças do puzzle que se têm de encaixar para que alguém desenvolva a doença celíaca, onde a hereditariedade, a ingestão de glúten e, possivelmente, muitos outros fatores ambientais são importantes. Este estudo fornece uma melhor compreensão para as pessoas com a doença sobre a provável etiologia multifatorial da doença celíaca. Talvez ter infeções frequentes no início da vida influencie o sistema imunitário o que faz com que este subsequentemente reaja ao glúten”, conclui, o primeiro autor do estudo, Karl Mårild.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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