Infecções persistentes por papilomavírus podem indiciar cancro cervical
02 janeiro 2002
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De acordo com um estudo publicado na semana passada no The Journal of The American Medical Association é possível determinar se uma mulher tem maior ou menor tendência para desenvolver cancro do colo do útero através da vigilância da persistência de infecções por um vírus associado a esta doença: o papilomavírus humano – HPV.
 

 

Segundo os investigadores envolvidos nesta investigação, as conclusões deste estudo podem trazer implicações na investigação do cancro de colo de útero assim como na pesquisa de uma vacina contra as diversas estirpes víricas envolvidas nesta doença.
 

 

Este trabalho, realizado na McGill University, Montreal (Canada), e coordenado por Eduardo L. Franco, mostrou que as mulheres infectadas com determinados tipos de HPV foram mais propensas a desenvolver alterações pré-cancerosas no colo do útero quando a infecção vírica persistiu por vários meses.
 

 

Existem mais de cem tipos diferentes de HPV, incluindo alguns que provocam verrugas genitais. Uma parte destes vírus é transmitida sexualmente e, destes, alguns estão associados ao cancro uterino.
 

 

Certos tipos de HPV humano são considerados de alto risco pois constituem a primeira causa do desenvolvimento de cancro do útero. No entanto, a infecção viral desaparece normalmente, sem tratamento, e a maioria das mulheres infectadas não chega a desenvolver a doença.
 

 

Numa entrevista à Reuters, Eduardo Franco explicou que «na maior parte das mulheres o sistema imunológico tem uma resposta muito eficaz no ataque à infecção vírica». No entanto, em algumas mulheres a infecção pelo HPV persiste.
 

 

Franco e os seus colaboradores descobriram que a persistência da infecção pelo papilomavírus humano torna estas mulheres mais vulneráveis a desenvolver anomalias celulares nos tecidos cervicais, anomalias essas designadas por lesões escamosas intraepiteliais, que, em alguns casos, se tornam cancerosas. Foram associados dois tipos específicos de papilomavírus humano ao desenvolvimento das lesões escamosas intraepiteliais – o HPV 16 e o HPV 18.
 

 

Para o coordenador deste estudo, estas conclusões acrescentaram claras evidências de que «a persistência do papilomavírus humano, em vez da detecção do cancro» é fundamental para reduzir o risco de cancro cervical.
 

 

Como o exame ginecológico vulgarmente designado por Papanicolau não detecta directamente o papilomavírus mas sim as alterações celulares provocadas pela infecção vírica, os autores deste estudo salientam a necessidade da introdução de exames periódicos de despiste de infecções por HPV de modo a reduzir o risco de desenvolvimento de cancro cervical. Assim, e ainda de acordo com Franco e seus colaboradores, estes resultados reforçaram a ideia de estabelecer os subtipos HPV 16 e HPV 18 como alvos de pesquisas para o desenvolvimento de uma vacina.
 

 

Outra questão que Franco considera crucial é que não se conhecem as razões pelas quais apenas algumas mulheres desenvolvem infecções persistentes por HPV. Na tentativa de encontrar uma resposta para esta questão, Franco e os seus colaboradores estão a desenvolver estudos paralelos para avaliar os factores genéticos que possam, eventualmente, estar relacionados com esta questão.
 

 

Embora este estudo seja mais um contributo para o conhecimento concreto das causas do cancro cervical, os exames papanicolau regulares são indispensáveis para despistar e identificar as alterações celulares associadas a esta doença. Assim, todos os especialistas são unânimes quando recomendam que todas as mulheres sexualmente activas façam regularmente o exame papanicolau.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI - Médicos Na Internet

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