Infecções em feridas cutâneas são agravadas pelo stress

conclui estudo

25 outubro 2001
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São cada vez mais numerosos os estudos que confirmam que o stress não traz nenhum benefício para a saúde. De acordo com um dos últimos estudos, o stress pode dificultar a cura das infecções em feridas de pele.
 

 

Este estudo foi realizado pela equipa de Phillip T. Marucha, da Universidade de Ohio (EUA), e encontra-se na edição on-line da Brain, Behavior and Immunity.
 

 

Neste trabalho, os investigadores provocaram feridas em ratos que, depois, foram expostos a condições stressantes. Em seguida, eles contagiaram essas feridas com bactérias do género Streptococcus e dividiram os ratos em dois grupos: um foi submetido a condições stressantes e outro não. Também estudaram um grupo de animais que foi submetido a stress antes de lhes ser provocado e contagiado o ferimento. No final, eles compararam as taxas de cicatrização nos três grupos de ratos.
 

 

A equipa de P. Marucha obteve resultados muito interessantes. Relativamente ao grupo de ratos não submetido a stress:
 

 

- o tempo de cicatrização dos ferimentos foi cerca de cerca de 30% mais longo nos ratos que já estavam sob condições de stress antes dos investigadores lhes provocarem e infectarem as feridas;
 

- cinco dias após a infecção, o número de bactérias oportunistas nos ferimentos dos ratos dos dois grupos submetidos a condições stressantes foi cerca de cem mil vezes superior;
 

- sete dias após a exposição à bactéria, 85% das feridas nos ratos stressados estavam infectadas, contra apenas 27% nos ratos não stressados.
 

 

Na edição online da revista Brain, Behavior and Immunity os autores deste estudo afirmam que «neste estudo, o stress aumentou a taxa de infecção cerca de três vezes.»
 

 

De acordo com estes cientistas, o stress alterou o equilíbrio do organismo prejudicando de forma muito significativa a sua capacidade de controlo e erradicação da infecção bacteriana durante a cicatrização de ferimentos. Como afirma Marucha: «basicamente, o stress provoca a inactivação do recrutamento ou inibe a função das células do sistema imunológico, necessárias ao combate da infecção.»
 

 

E nos seres humanos?
 

 

Em pesquisas anteriores com seres humanos já se mostrou que o stress psicológico pode interferir nas funções do sistema imunológico porque diminui a concentração de citocinas (proteínas produzidas por células do sistema imunológico que ajudam a combater as infecções).
 

 

Além disso, já foi verificado por vários especialistas que sob os efeitos do stress as pessoas têm tendência a apresentarem comportamentos, como fumar,aumentar o consumo de bebidas alcoólicas e ter uma dieta pouco saudável, que em nada contribuem para combater infecções e, por isso, só as tornam mais vulneráveis a desenvolverem vários tipos de doenças.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet

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