Infeção viral na gravidez pode conduzir ao autismo?

Estudo publicado na revista “Science”

02 fevereiro 2016
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A resposta imunitária de uma mulher a uma infeção viral durante a gravidez pode estar associada, ao risco da criança desenvolver autismo, sugere um estudo publicado na revista “Science”.
 

Em 2010, investigadores dinamarqueses constataram que as mulheres grávidas que tinham sofrido uma infeção apresentavam uma probabilidade aumentada de terem um filho com autismo. Neste estudo os investigadores do MIT, Universidade de Massachusetts e da Universidade de Colorado, nos EUA, descobriram um possível mecanismo para esta associação.
 

O estudo apurou que as células imunitárias das mães que foram ativadas durante uma inflamação severa produziam uma molécula efetora, denominada por IL-17, que parece interferir com o desenvolvimento do cérebro. Através de estudos realizados em ratinhos verificou-se que o bloqueio deste sinal poderia restaurar a estrutura do cérebro, bem como o comportamento dos animais.
 

De forma a chegarem a estas conclusões, os investigadores centraram-se num tipo de células do sistema imunológico denominadas por linfócitos Th17 que estão envolvidos no desenvolvimento de doenças autoimunes, como esclerose múltipla, doença inflamatória do intestino e artrite reumatoide. Estudos anteriores já tinham indicado que os linfócitos Th17 eram ativados por uma molécula sinalizadora, a IL-6, que desempenha um papel importante na ligação entre a infeção e o desenvolvimento de distúrbios semelhantes ao autismo nos roedores.
 

Neste estudo os investigadores resolveram averiguar se estas células estavam também envolvidas no autismo associado à infeção materna. Após terem ativado o sistema imunológico de um modo semelhante à de uma infeção por um vírus, os investigadores constataram que as crias dos ratinhos fêmea infetados apresentavam comportamentos alterados, incluindo deficits na sociabilidade, comportamentos repetitivos e comunicação alterada.
 

Após terem desativado os linfócitos Th17 nas mães antes de induzirem a inflamação, os investigadores constataram que as crias não apresentavam essas alterações comportamentais. Estas alterações também desapareceram quando os investigadores administraram às mães infetadas um anticorpo que bloqueia a IL-17, uma proteína produzida pelas células Th17.
 

O estudo apurou também que as células cerebrais dos fetos cujas mães apresentavam inflamação expressavam recetores para a IL-17.
 

Nos ratinhos em desenvolvimento, os investigadores verificaram que existiam irregularidades nas camadas normalmente bem definidas das células no córtex cerebral, onde a maioria dos processos cognitivos e processamento sensorial ocorrem. Estas irregularidades não foram observadas quando os linfócitos Th17 das mães foram bloqueados. Este tipo de camadas corticais desorganizadas foram também encontradas em estudos realizados em pacientes humanos com autismo.
 

Os autores do estudo esperam que estes achados conduzam a uma forma de reduzir o risco de desenvolvimento do autismo nos filhos das mulheres que são afetadas por infeções graves durante a gravidez.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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