Infeção urinária: identificada proteína chave

Estudo publicado na revista “Cell Host & Microbe”

27 setembro 2016
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Investigadores americanos identificaram uma possível forma de impedir as infeções urinárias crónicas, dá conta um estudo publicado na revista “Cell Host & Microbe”.
 

Os investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington, nos EUA, descobriram como a bactéria, Escherichia coli (E. coli), desenvolveu um mecanismo para colonizar a bexiga de forma a persistir e causar infeções do trato urinário. O estudo sugere que a inibição deste mecanismo pode ser uma abordagem viável para tratar ou impedir este tipo de infeções.
 

As infeções do trato urinário agudas são caracterizadas por micção dolorosa frequente e dor abdominal ou nas costas. Habitualmente, este tipo de infeções são tratadas com antibióticos, contudo a resistência a vários fármacos é um problema crescente. No caso de não serem tratadas, as infeções crónicas permitem que as bactérias sobrevivam na bexiga e se disseminem para os rins ou para a corrente sanguínea, sendo por vezes necessária hospitalização.  
 

De forma a não ser eliminada durante a micção, a E. coli liga-se à bexiga através de projeções filiformes denominadas por pili. Um desses pilus, conhecido por tipo 1 é necessário para os estadios iniciais da infeção. Estudos anteriores já tinham também identificado um segundo pilus, o Fml, mas com uma função ainda desconhecida.
 

Neste estudo, os investigadores, liderados por Scott Hultgren, decidiram averiguar a função do Fml tendo-se focado numa proteína, a FmlH, que acreditavam que estava localizada na extremidade do pilus ajudando a bactéria a fixar-se à parede da bexiga.
 

No estudo, os investigadores infetaram o trato urinário de ratinhos com E. coli com e sem o gene que codifica para a FmlH. Verificou-se que na ausência do gene, a bactéria era menos provável de estabelecer infeções crónicas.
 

Nos primeiros dias de infeção, as duas estirpes multiplicavam-se a níveis semelhantes. Contudo, no final da quarta semana, a E. coli sem o gene FmlH era mil vezes menos numerosa na bexiga e cem vezes menos numerosa nos rins, comparativamente com a bactéria com a proteína.
 

Os cientistas descobriram que apesar de o pilus Fml não desempenhar um papel importante na infeção urinária aguda, após a infeção estar estabelecida e no início da inflamação, contribui para a persistência da bactéria na bexiga.
 

O estudo apurou ainda que a FmlH é capaz de se ligar a linha celulares humanas, o que sugere que os resultados observados nos ratinhos podem ser aplicados aos humanos.


Os investigadores vacinaram um grupo de ratinhos com duas doses de uma vacina, constituída por uma porção de proteína FmlH, com quatro semanas de intervalo. Um segundo grupo de animais funcionou como controlo. Os dois grupos de ratinhos foram posteriormente infetados com a E. coli. Ao longo dos primeiros três dias de infeção foi mediada a quantidade de bactérias presentes na bexiga e rins. Apesar de não se ter encontrado diferenças após o primeiro dia de infeção, ao terceiro dia os animais que não tinham sido vacinados tinham mil e cem vezes mais bactérias nas bexigas e rins, respetivamente.
 

Scott Hultgren, conclui que este estudo mostra que é possível interferir com a capacidade da bactéria aderir à bexiga e reduzir a infeção urinária crónica, bem como a disseminação desta para outras partes do organismo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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