Infeção pré-natal pode provocar alterações no desenvolvimento cerebral via alterações epigenéticas

Estudo publicado na revista “Biological Psychiatry”

27 janeiro 2017
  |  Partilhar:

A ativação do sistema imunitário durante a gravidez, como resposta a uma infeção, pode causar alterações de longo prazo na programação do genoma da descendência, conhecidas como modificações epigenéticas, que podem conduzir a problemas comportamentais na idade adulta, atesta um estudo publicado na revista “Biological Psychiatry”.
 

John Krystal, editor da “Biological Psychiatry”, refere que este estudo sugere que a ativação imunológica pode ser a ligação entre a infeção materna e as alterações epigenéticas que produzem modificações duradouras no desenvolvimento cerebral.
 

Os investigadores da Universidade de Zurique, na Suíça, encontraram alterações num tipo específico de modificação epigenética conhecida por metilação do ADN, a qual tem sido associado à origem das doenças do neurodesenvolvimento. Verificou-se que a metilação do ADN alterada aparecia ao longo do genoma da descendência e diferia de acordo com o tempo de infeção.
 

No estudo, os investigadores, liderados por Urs Meyer, induziram uma infeção semelhante à viral em ratinhos fêmea grávidas em dois momentos importantes do desenvolvimento cerebral, ou seja, no início e no fim da gestação.
 

O estudo demonstrou que a ativação imune em ambas as etapas da gestação conduziu a alterações em alguns genes associados ao neurodesenvolvimento. Verificou-se que a infeção pré-natal tardia alterou a metilação de genes envolvidos no desenvolvimento e à função das células GABA. Por outro lado, a exposição precoce afetou genes importantes para a sinalização da Wnt, uma via que desempenha um papel muito importante nos eventos de desenvolvimento precoce durante a embriogénese.
 

Estes achados indicam a importância do momento da ativação imunológica pré-natal e sugerem que uma infeção no início da gravidez pode conduzir a efeitos mais graves no neurodesenvolvimento.
 

O estudo apurou ainda que o padrão de metilação do ADN da descendência pré-natal infetada sofreu alterações ao longo do tempo. De acordo com o investigador, estes achados sugerem que as modificações são dinâmicas e influenciadas por eventos dependentes da atividade à medida que os animais crescem.
 

Os investigadores verificaram ainda que os níveis de mARN de genes com metilação diferencial foram alterados na descendência, indicando que as alterações epigenéticas estavam a modelar a expressão dos genes.
 

Adicionalmente verificou-se que a descendência apresentou problemas cognitivos e comportamentais presentes em modelos animais com distúrbios do neurodesenvolvimento, como esquizofrenia e autismo. Estes resultados sugerem que a infeção pré-natal pode causar irregularidades na metilação de todo o genoma nestes distúrbios. Desta forma, a possibilidade de direcionar estas modificações pode ajudar a desenvolver tratamentos preventivos em indivíduos expostas à infeção pré-natal.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar