Infeção por Zika: danos cerebrais vão para além da microcefalia

Estudo publicado na revista “Radiology”

31 agosto 2016
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A microcefalia, característica em casos de infeção gestacional pelo vírus Zika, é apenas uma das diversas alterações cerebrais observadas. Os resultados publicados na revista “Radiology” são extremamente importantes, uma vez que descrevem as áreas do cérebro mais afetadas pelo vírus, bem como a gravidade dos danos.
 

Para o estudo, os investigadores do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Pesquisa Professor Amorim Neto, no Brasil, em parceria com a Universidade de Tel Aviv, em Israel, e do Hospital Pediátrico de Boston, nos EUA, avaliaram mulheres grávidas, fetos e recém-nascidos infetados pelo vírus Zika, através de ressonância magnética e tomografia computadorizada.
 

De acordo com Fernanda Tovar-Moll, uma das autoras do estudo, esta investigação teve como principal objetivo identificar a severidade das alterações neurológicas induzidas pela infeção viral no sistema nervoso central em formação.
 

Contrariamente ao observado noutras infeções, como toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e herpes, os cérebros dos fetos e bebés infetados pelo vírus Zika apresentaram malformações corticais e alterações localizadas na junção das substâncias branca e cinzenta do cérebro.
 

Os investigadores também identificaram uma redução do volume cerebral, anomalias no desenvolvimento cortical e ventriculomegalia, uma condição em que os ventrículos cerebrais (espaços preenchidos por fluidos) são maiores que o normal. Apesar de quase todos os bebés terem apresentado anomalias na circunferência da cabeça, foram também encontrados casos de circunferência normal em bebés com ventriculomegalia grave.
 

O estudo apurou ainda a ocorrência de anormalidades no corpo caloso, um feixe de fibras nervosas que permite a comunicação entre os lados esquerdo e direito do cérebro, e na migração neuronal, ou seja, os neurónios não se moveram para o destino correto no cérebro.
 

Os investigadores vão, no futuro, tentar correlacionar as alterações morfológicas observadas neste trabalho com dados clínicos e imunológicos, além de informações do ambiente onde as mães e bebés foram infetados.
 

"Estamos a desenvolver um estudo de acompanhamento dos casos para investigar como a infeção congénita pelo vírus Zika pode interferir, não apenas no período pré-natal, mas também na maturação cerebral pós-natal. A microcefalia é somente a ponta do iceberg", concluiu a investigadora.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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