Infeção por rotavírus pode ser combatida com proteína bacteriana?

Estudo publicado na revista “Science”

18 novembro 2014
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A infeção por rotavírus, uma das causas mais comuns da diarreia grave, pode ser impedida e curada através da ativação do sistema imunitário com uma proteína bacteriana, defende um estudo publicado na revista “Science”.
 

A infeção por rotavírus é mais problemática nos lactentes e crianças pequenas, que podem ficar severamente desidratados. De acordo com o Centro de Controlo e Doenças, nos EUA, anualmente, em todo o mundo, este tipo de infeção causa aproximadamente 500 mil mortes em crianças com menos de cinco anos de idade.
 

Através de experiências realizadas em ratinhos, os investigadores da Universidade Estadual da Georgia, nos EUA, e de outras universidades americanas constataram que a proteína bacteriana flagelina detinha a infeção por rotavírus, pois conseguia rapidamente induzir uma resposta imune que seria habitualmente ativada por bactérias e não por vírus.
 

O estudo apurou que a ativação do sistema imunitário conduzia à produção de duas proteínas: a interleuquina (IL)-22, que impede que o vírus entre nas células, e a IL-18, que remove o rotavírus das células infetadas.
 

Os investigadores acreditam que encontraram uma forma completamente diferente de combater a infeção viral através de um ativador bacteriano do sistema imune. ”Isto é semelhante a fornecer um taco de basebol a um defesa da liga de futebol americana. É contra todas as regras, mas pelo menos, neste caso, é eficaz”, explicou um dos autores do estudo, Andrew Gewirtz.
 

Algumas infeções virais podem ser impedidas através de vacinas, que ensinam o sistema imunitário adaptativo a reconhecer vírus específicos. Outras são controladas através de fármacos específicos que atacam diretamente o vírus. No entanto, este tipo de abordagem requer anos de investigação e desenvolvimento, e habitualmente aplicam-se apenas a um vírus alvo.
 

Na opinião dos autores do estudo, o que foi agora conseguido foi ativar amplamente o sistema imunitário, de forma a impedir a infeção de uma vasta gama de vírus.
 

Os investigadores esperam que a utilização da flagelina, ou das proteínas por ela despoletadas, seja eficaz contra uma vasta gama de infeções virais crónicas do sistema digestivo, como o norovírus ou hepatite C. Na verdade, estão já a ser planeados estudos em humanos para testar esta hipótese.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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