Infeção na gravidez: risco de transmissão ao bebé

Estudo publicado na revista “PLOS Medicine”

23 agosto 2013
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Uma equipa de investigadores descobriu que as grávidas que tenham tido infeção bacteriana ou colonização durante a gestação poderão transmitir essa infeção aos bebés, provocando uma infeção precoce neonatal.

 

A Organização Mundial de Saúde calcula que ocorram anualmente cerca de quatro milhões de mortes causadas por infeções, sendo um milhão dessas mortes devido a sepses e a pneumonia. Segundo os autores do estudo, “o risco de infeção precoce neonatal entre mulheres com infeções maternas é elevado e presumivelmente ainda maior em contextos de parcos recursos onde as mulheres dão à luz em casa, sem acesso a cuidados de saúde”.

 

Os investigadores da John Hopkins Bloomberg School of Public Health em Maryland e do Brigham and Women's Hospital em Boston, EUA, analisaram várias bases de dados de estudos clínicos conduzidos entre janeiro de 1960 e março de 2013 com o intuito de identificarem estudos relativos a infeções maternas, transmissões verticais e infeções neonatais.

 

Foram identificados 448 estudos, dos quais 83 preenchiam os critérios necessários para o estudo presente e 67 foram combinados para meta-análise. Os autores excluíram tipos específicos de doenças não-bacterianas como tétano, doenças sexualmente transmitidas, tal como clamídia, e as chamadas infeções TORCH (toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, sífilis e herpes) devido ao facto de estas doenças poderem ser transmitidas de várias formas.

 

A análise dos estudos revelou que os recém-nascidos de mães com infeções confirmadas por laboratório apresentavam uma possibilidade 6,6 vezes maior de desenvolverem eles próprios infeções confirmadas por laboratório, relativamente a recém-nascidos de mães que não apresentavam infeção. Os recém-nascidos de mães com colonização apresentavam uma possibilidade 9,4 vezes maior de infeção confirmada por laboratório, comparativamente aos recém-nascidos de mães sem colonização.

 

Os recém-nascidos de mães com fatores de risco para infeção, ou seja, aquelas que tinham tido ruturas de membrana pré-parto antes das 37 semanas de gestação e ruturas de membrana prolongadas, apresentavam uma possibilidade 2,3 vezes maior do que os recém-nascidos de mães sem esses fatores de risco.

 

Mediante os factos constatados, os autores consideram que existe um grande potencial de redução das infeções neonatais precoces se atuarmos sobre os tratamentos das mulheres com infeção materna, colonização e que apresentem fatores de risco de infeção: “o melhoramento da identificação dos sinais clínicos e dos fatores de risco da infeção materna terá mais efeitos imediatos, particularmente em contextos de recursos limitados”, explicam os investigadores.

 

Os autores do estudo explicam ainda a necessidade de mais estudos de qualidade, especialmente em áreas de grande mortalidade neonatal para determinar se o tratamento das infeções e colonizações maternas funciona, bem como se o dos recém-nascidos com antibióticos previne uma grande proporção de sepse neonatal.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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