Infantários: três em cada dez crianças sofre de asma

Estudo realizado pela Faculdade de Ciências Médicas e do Laboratório Nacional de Engenharia

24 dezembro 2012
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Um estudo realizado em mais de 40 instituições de Lisboa e Porto apurou que três em cada dez crianças que frequentam infantários têm asma.
 

A investigação, realizada por peritos da Faculdade de Ciências Médicas e do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), está quase em fase de conclusão e os primeiros resultados obtidos vão ser discutidos no próximo mês num seminário em Lisboa.
 

Os investigadores, Nuno Neuparth e João Vaz, revelaram à agência Lusa que uma das conclusões do estudo se prende com a necessidade de melhorar as formas de ventilação dos espaços.
 

Quando as janelas das salas dos infantários se encontram encerradas, a qualidade do ar tem níveis piores, mostrando maior saturação, nalguns casos com níveis “relativamente elevados”. Esta realidade foi testada medindo os níveis de C02 (dióxido de carbono) que, por seu lado, surgem também associados a manifestações de asma, como a pieira.
 

“Quanto maior o nível de C02, maior é o nível de pieira”, explicou alergologista e professor na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, Nuno Neuparth.
 

De forma a avaliar a condição de saúde das crianças, os investigadores começaram por realizar questionários às famílias dos meninos das 46 instituições particulares de solidariedade social de Lisboa e Porto, todas frequentadas por menores dos 0 aos 5 anos.
 

Foram os resultados destes inquéritos que permitiram concluir que quase 30% destas crianças apresenta asma, tendo tido pelo menos um episódio de pieira no último ano. Nuno Neuparth revela que esta prevalência é maior do que a registada na população geral. Um estudo mundial com uma componente portuguesa demonstrou uma prevalência de 15% em adolescentes de 13/14 anos.
 

Para além da importância de ter sistemas de ventilação nos edifícios, os investigadores dizem que a alteração de procedimentos nas creches pode ser suficiente, apontado como exemplo a abertura das portas das salas durante os intervalos das atividades.
 

Este projeto, que recebeu 180 mil euros de financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia, vai precisamente culminar com um livro com recomendações para os infantários.
 

“Estes meninos estão mais expostos a infeções virais do que os que não estão no infantário. Podemos ajudar a resolver o problema recomendando que se melhorem as condições de vida nas creches. Certos de que para melhorar a qualidade do ar interior é preciso melhorar a ventilação”, diz Nuno Neuparth.
 

Para as crianças com episódios de asma ou pieira, a recomendação passa pela consulta a um médico especialista, que pode definir estratégias de tratamento e prevenção que os proteja e diminua a sua desvantagem em relação aos outros colegas.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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