Infância traumática pode aumentar risco de desenvolver dependência de drogas

Estudo publicado no “The American Journal of Psychiatry”

04 setembro 2012
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Pesquisas anteriores já tinham revelado que determinados traços de personalidade como a impulsividade e compulsividade constituíam fortes indicadores de risco para desenvolver este tipo de comportamentos. O presente estudo realizado pela University of Cambridge sugere que estes traços de personalidade estão também associados a vivências traumáticas na infância.


O objetivo da equipa liderada por Karen Ersche consistiu em identificar os fatores de risco que tornavam uma pessoa mais vulnerável ao desenvolvimento de dependência de cocaína juntamente com os seus irmãos ou irmãs que nunca tinham experimentado drogas. Foram observados 50 adultos com dependência de drogas. Todos os participantes foram submetidos a uma avaliação das suas personalidades, inclusive da sua forma de pensar e sentir. Os investigadores preocuparam-se também em saber que experiências negativas os participantes teriam vivido durante a infância (tais como abuso físico, psicológico ou sexual).


Karen Ersche, do Behavioural and Clinical Neuroscience Institute (BCNI), University of Cambridge, no Reino Unido, afirma que há muito que se sabe que as vivências traumáticas na infância têm efeitos a longo-prazo no comportamento de uma pessoa e os resultados do seu estudo vêm confirmar isso. Esta pesquisa veio ainda confirmar a existência de uma relação direta entre uma infância traumática e determinados traços de personalidade.


O grande desafio que se coloca agora é perceber quais os fatores que explicam o facto de pessoas que tiveram exatamente as mesmas infâncias traumáticas – o caso dos irmãos dos indivíduos dependentes de cocaína também avaliados neste estudo – não virem a desenvolver dependências.


Esta pesquisa confirmou que todos os participantes – toxicodependentes ou não – revelavam níveis de comportamentos impulsivos e compulsivos mais elevados do que o normal, mas não aprofundaram ainda por que razão alguns tinham conseguido resistir aos comportamentos aditivos. Quando for possível retirar conclusões sobre esta questão ficar-se-á um pouco mais perto de conseguir criar tratamentos mais eficazes de combate à toxicodependência.


Karen Ersche ressalva, no entanto, que nem todos os indivíduos que tenham tido uma infância traumática ou que manifestem os traços de personalidade associados a comportamentos aditivos irão desenvolver esse tipo de comportamentos. Mas ainda assim, os resultados obtidos provam que determinadas pessoas são mais propensas e que as suas vivências na infância contribuem para isso.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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