Indivíduos com VIH receiam ter vida sexual

Dados do questionário “VIH e os Afetos”

28 novembro 2014
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A maioria das pessoas com VIH receia ter vida sexual e esconde que está infetado por medo de ser rejeitado, dá conta o inquérito “VIH e os Afetos”.
 

Os resultados do questionário, aos quais a agência Lusa teve acesso, revelaram ainda que, no ano em que foram diagnosticados, 32% dos indivíduos fecharam-se a novos relacionamentos e 21% deixaram de ter relações sexuais.
 

O inquérito desenvolvido pelo grupo MAIS - Mulheres Ativistas com Intervenção na Sociedade, da associação SER+, teve como objetivo “dar voz às pessoas que vivem com a infeção VIH” e perceber a implicação que o vírus pode ter na “vivência dos afetos”, a nível social, de amizades, na relação com o parceiro e na decisão de ter filhos, disse à agência Lusa, a coordenadora do estudo, Ana Duarte.
 

A amostra distribuiu-se equitativamente entre homens e mulheres, maioritariamente entre os 30 e os 55 anos e com escolaridade acima do terceiro ciclo. Dos 144 participantes, 94 são portugueses, 43 são oriundos de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e sete de outros países.
 

O inquérito, que decorreu entre 22 de outubro e 12 de novembro, apurou que 12% dos participantes foram diagnosticados com VIH entre 2005 e 2012 e 38% entre 1995 e 2004.
 

A maioria (64%) tem algum tipo de receio em ter ou manter vida sexual e revelar a sua seropositividade, por medo de ser rejeitado (40%) e/ou de transmitir a infeção acidentalmente (37%). Mais de metade sentiu medo de ser rejeitado e 75% lida “mal ou muito mal” com o diagnóstico, sendo as mulheres que reagem pior.
 

De acordo com o questionário, 70% dizem revelar sempre o seu estatuto serológico a parceiros quando estes são seropositivos, mas apenas 49% o faz quando os parceiros são seronegativos e 29% quando têm estatuto serológico desconhecido.
 

Quando receberam o diagnóstico, a tristeza, depressão e revolta contra si próprios foram os sentimentos mais comuns, que se foram alterando com o passar dos anos. Atualmente, 72% sentem “vontade de viver”, mas 33% ainda têm medo de ser rejeitados, sendo as mulheres quem sente mais vergonha de revelar a infeção aos outros.
 

Ana Duarte explicou que estes sentimentos vão sendo ultrapassados com o apoio e o acompanhamento dos profissionais que trabalham nesta área. Contudo, os dados também mostram que estas pessoas “acabam por viver muito sozinhas nesta infeção. Até podem viver melhor, mas continuam a ter muito receio da rejeição exterior”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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