Indivíduos com transtorno bipolar e a adoção de comportamentos de risco

Estudo publicado na revista “BRAIN”

11 julho 2014
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Investigadores do Reino Unido demonstraram que os circuitos cerebrais envolvidos na busca e vivência de experiências gratificantes estão mais ativos nos indivíduos com transtorno bipolar, os quais podem levar a adoção de comportamentos de risco, defende um estudo publicado na revista “BRAIN”.
 

Os pacientes com transtorno bipolar têm episódios de depressão e mania, isto é, períodos de emoção ou irritabilidade intensa que conduzem frequentemente a comportamentos arriscados, que ocorrem de uma forma imprevista. Esta é uma das formas da doença mental mais graves e de difícil tratamento, estando associada a uma reduzida esperança de vida, elevado risco de suicídio e problemas de trabalho e relações sociais persistentes.  
 

Neste estudo, os investigadores das Universidades de Manchester e Liverpool, no Reino Unido, convidaram indivíduos, com e sem transtorno bipolar, a participarem num jogo de roleta russa no qual faziam apostas seguras ou arriscadas. A atividade cerebral foi medida através de imagens magnéticas funcionais.
 

Os investigadores constataram que havia um domínio do centro de prazer do cérebro, que faz com que impulsivamente se procure recompensas, respondendo a elas de forma automática. Verificou-se que esta área do cérebro conhecida por núcleo de accumbens estava mais fortemente ativada nos indivíduos com transtorno bipolar, comparativamente com os indivíduos incluídos no grupo de controlo.
 

O estudo apurou também outra diferença chave no córtex pré-frontal, uma área do cérebro envolvida no pensamento consciente. Tal como um maestro de uma orquestra, esta área está associada à capacidade de coordenar as diferentes unidades e impulsos, permitindo que as pessoas tomem decisões que no imediato são menos gratificantes, mas que a longo prazo são melhores.
 

Os investigadores constataram que nos participantes do grupo de controlo, o córtex pré-frontal fez com que estes escolhessem apostas seguras. Por outro lado, os pacientes com transtorno bipolar apresentaram uma atividade neuronal maior perante apostas mais arriscadas.
 

“Este estudo mostra como as novas ferramentas de neurociência podem ser utilizadas para entender melhor os mecanismos psicológicos que conduzem ao transtorno psiquiátrico que, até à data, tem sido difícil de compreender”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Richard Bentall.
 

“Conhecer como o cérebro funciona para regular a busca de objetivos irá ajudar a desenhar, avaliar e monitorizar melhor as terapias para esta doença”, conclui, um outro autor do estudo, Liam Mason.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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