Índice de massa corporal poderá estar associado a disseminação de mieloma múltiplo

Estudo publicado no “Cancer Letters”

04 agosto 2016
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Um novo estudo revela que o Índice de Massa Corporal (IMC) poderá estar associado ao desenvolvimento e disseminação do mieloma múltiplo, adianta um artigo publicado na revista científica “Cancer Letters”.
 
“A obesidade desempenha um papel cada vez maior nos casos de cancro, à medida que o número de obesos aumenta”, adianta a líder do estudo, Katie DeCicco-Skinner, em comunicado. “Melhorar o nosso conhecimento acerca de como células adiposas e as células cancerígenas comunicam entre si, e de que forma a comunicação se altera durante a obesidade, é um aspeto crítico”, explicou.
 
Estudos anteriores demonstraram que a obesidade é um fator de risco para vários tipos de cancro e que cada aumento de 5 kg/m2 de IMC corresponde a um aumento de dez por cento de risco de morte por cancro.
 
Como tal, DeCicco-Skinner e seus colegas decidiram estudar o IMC de pacientes com peso normal, excesso de peso, obesidade e obesidade mórbida e os seus efeitos no mieloma múltiplo, um tipo de cancro que afeta cerca de dez por cento de todos os pacientes com cancro do sangue. Para esta investigação, o peso normal correspondeu a um IMC até 25 kg/m2 e obesidade mórbida entre 35 e 40 kg/ m2.
 
A investigação consistiu na cultura de células estaminais obtidas a partir de gordura retirada de pacientes submetidos a lipossucção através de cirurgia eletiva. As células estaminais foram diferenciadas em células adiposas e cultivadas com mieloma múltiplo. O mieloma múltiplo tem muitas vezes origem na medula óssea e é aí que as células adiposas desempenham um importante papel na proliferação, sobrevivência, progressão e resistência aos fármacos das células cancerígenas.
 
De acordo com os achados, o aumento de IMC correspondeu a uma maior comunicação entre as células adiposas e as células do mieloma múltiplo. 
 
“Sabemos que as células do mieloma múltiplo se ancoram na medula óssea e que as células adiposas na medula suportam o crescimento e a disseminação do cancro”, esclarece DeCicco-Skinner. “No nosso estudo, à medida que o IMC aumentava, começámos a verificar um aumento da capacidade de aderência das células do mieloma múltiplo, o que permite ao cancro ancorar-se melhor”, explicou a cientista. 
 
Além disso, a investigadora revela também que descobriram que “a quantidade de vasos sanguíneos que se desenvolveu era diretamente proporcional ao IMC do paciente”, o que é importante para o desenvolvimento do cancro, visto que “com a angiogénese, as células cancerígenas não conseguem existir sem o seu próprio fornecimento de sangue”. 
 
Apesar de os cientistas já esperarem que a proliferação do cancro beneficiasse de um IMC maior do que o normal, devido à relação epidemiológica entre obesidade e cancro, estes descobriram que a relação entre o mieloma múltiplo e o IMC em indivíduos com obesidade e obesidade mórbida era drástica.
 
“Descobrimos que as células adiposas de pacientes obesos e com obesidade mórbida secretam uma grande quantidade de proteínas inflamatórias que contribuem para a progressão tumoral”, refere DeCicco-Skinner.
 
Os achados deste estudo poderão, na opinião dos autores, apontar para novos caminhos no tratamento do mieloma múltiplo, adaptando a terapêutica ao IMC do paciente, já que um fármaco poderá não ser tão eficaz em pacientes obesos ou com obesidade mórbida.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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