Índice de massa corporal na adolescência dita desenvolvimento de doenças na idade adulta

Estudo publicado no “New England Journal of Medicine”

11 abril 2011
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Um estudo recente publicado no “New England Journal of Medicine” dá conta que um elevado índice de massa corporal (IMC) na adolescência constitui um factor de risco importante no desenvolvimento de doenças relacionadas com a obesidade na idade adulta jovem (entre os 30 e os 40 anos de idade).

 

O estudo constatou que um aumento do IMC na adolescência influencia de forma distinta o aparecimento da diabetes tipo 2 e da doença coronária na idade adulta jovem.
 

Para o estudo, os investigadores acompanharam 37 mil adolescentes ao longo de cerca de 17 anos, em média. Ao longo de todo o período de acompanhamento os cientistas foram registando os seus IMC. O IMC é representado pela razão entre peso (expresso em Kg) e altura de cada indivíduo ao quadrado.
 

O estudo revelou que, ao fim do período de acompanhamento, a média do IMC dos participantes aumentou, entre os 17 e 30 anos, a uma taxa de 0,2 a 0,3 unidades por ano, atingindo um ganho de peso médio de aproximadamente 15 Kg.
 

Os cientistas constataram que era possível prever o risco aumentado de desenvolvimento da diabetes e da doença coronária mesmo se o IMC se encontrasse dentro da gama normal de valores, ou seja, menor que 25 Kg/m2. Um IMC igual ou superior a 25 significa excesso de peso, enquanto um IMC igual ou superior a 30 está associado à obesidade.
 

De acordo com o estudo, cada aumento de uma unidade de IMC estava associado a um aumento de cerca de 10% do risco de diabetes tipo 2 na idade adulta jovem e um aumento de 12 % no risco de doença cardíaca.
Os investigadores verificaram ainda que a diabetes é influenciada principalmente pelo IMC e ganho de peso recente. No entanto, quanto à doença coronária, tanto o IMC na adolescência como o IMC na idade adulta  demonstraram prever de forma isolada o risco da doença. Assim, a evolução natural da doença coronária é provavelmente a consequência de um aumento gradual da aterosclerose durante a adolescência e no início da idade adulta.
 

Em comunicado de imprensa, o líder da investigação, Amir Tirosh, revelou que os resultados do estudo sugerem assim que "o problema da obesidade nas crianças e adolescentes é apenas a ponta de um icebergue para o risco aumentado de diabetes tipo 2 e doenças cardíacas entre os 30 e 40 anos. Embora seja um estudo observacional, este sugere que no caso de um adolescente com um IMC relativamente elevado que se torne num adulto magro, praticamente não se verifica o risco acrescido de desenvolver diabetes conforme fora atribuído tendo em conta o seu IMC na adolescência.”

 

Por outro lado, a doença cardíaca parece ser mais influenciada pelo IMC na adolescência do que a diabetes. Assim, de acordo com os investigadores, o IMC deve fazer parte da avaliação dos riscos de doença cardíaca. Reforça-se, desta forma, o carácter essencial de uma prevenção eficaz da ocorrência precoce de doenças cardíacas na idade adulta e a promoção de hábitos de vida saudável, mesmo durante a infância. "

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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