Índice de Apgar pode ser indicador do estado de saúde da mãe

Estudo publicado no “JAMA Pediatrics”

05 novembro 2015
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O índice de Apgar que avalia a condição do bebé ao nascimento pode ser também uma ferramenta útil para prever se a mãe está gravemente doente, sugere um estudo publicado no “JAMA Pediatrics”.
 
A saúde da mãe e do bebé estão intrinsecamente ligadas através da gravidez e parto. Contudo, nenhuma das atuais ferramentas utilizadas para avaliar o risco de morbilidade materna aguda severa, uma condição crítica que envolve a transferência da mulher para uma unidade de cuidados intensivos, tem em conta a saúde do bebé.
 
Neste estudo os investigadores do Hospital St. Michael e do Instituto de Ciências de Avaliação Clínica, no Canadá, analisaram os registos médicos de mais de 600.000 nascimentos em Ontário, entre 2006 e 2012. Os investigadores apuraram que havia uma relação bastante forte entre os resultados do índice de Apgar dos bebés e o facto de a mãe ter sido admitida numa unidade de cuidados intensivos após o parto.
 
Os investigadores verificaram que entre as mães cujos bebés tiveram uma pontuação normal de Apgar cinco minutos após o nascimento, 1,7 em 1.000 foi admitida nos cuidados intensivos. Contudo, quando a pontuação dos testes diminui para uma gama intermédia, 12,3 por cada 1.000 mães teve necessidade de este tipo de cuidados. Quando a pontuação de Apgar do recém-nascido atingiu valores baixos, a taxa de admissão da mãe na unidade de cuidados intensivos aumentou para 18,2 por 1.000 mulheres.
 
A pontuação de Apgar é uma medição universal realizada por médicos, parteira e enfermeiras, um minuto após o nascimento e novamente aos cinco minutos. Este teste foi concebido para avaliar a condição do recém-nascido e determinar se o bebé necessita de cuidados médicos imediatos ou cuidados de emergência.
 
A pontuação de um total de 10 pontos é resultante da atribuição de dois pontos aos cinco parâmetros avaliados: aparência (cor da pele), pulso (frequência cardíaca), reflexos, atividade (tónus muscular), e respiração do recém-nascido (taxa de respiração e esforço). A pontuação é considerada normal quando é de sete ou superior. Uma pontuação intermédia é de quatro a seis e uma pontuação baixa é zero a três.
 
O estudo apurou que as mães cujos bebés tinham uma pontuação de Apgar baixa apresentavam um risco nove vezes maior de serem admitidas nas unidades de cuidados intensivos, do que aquelas com filhos com uma pontuação considerada normal. Estes resultados mantiveram-se mesmo após os investigadores terem tido em conta a idade materna, número de partos anteriores, situação económica e presença de determinadas condições crónicas.
 
As mães dos bebés com pontuações de Apgar intermédias tinham um risco 6,5 maior de necessitarem de cuidados intensivos. As mães que tinham necessitado de ventilação mecânica, o que indicava que estavam gravemente doentes, tinham um risco 18 vezes maior de terem tido um bebé com uma pontuação baixa no teste de Apgar. 
 
“O nosso estudo demonstra que uma métrica universalmente disponível para recém-nascidos – o índice de Apgar – fornece também uma nova e promissora aplicação para as mães. No mínimo, confirma que, mesmo após o nascimento, a saúde do bebé e da mãe permanecem intimamente ligadas”, conclui, um dos autores do estudo, Joel Ray.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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