Incontinência urinária em mulheres: análise do genoma promissora

Estudo apresentado no congresso da Sociedade Europeia de Genética Humana

31 maio 2017
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Um novo estudo veio trazer uma nova esperança no tratamento da incontinência urinária nas mulheres com fármacos já usados no tratamento de outros problemas. 
 
A incontinência urinária é um problema bastante comum nas mulheres, sendo que quase 50% sofre a perda ocasional ou com mais frequência de urina, o que pode prejudicar a qualidade de vida. Este problema costuma ocorrer mais frequentemente após o parto ou durante a menopausa.
 
Um quarto das mulheres é afetado pela incontinência urinária na sua vida diária e muitas sofrem também de incontinência por stress que consiste na perda de pequenas quantidades de urina devido a espirrar, tossir, rir e outros movimentos que façam aumentar a pressão sobre a bexiga.
 
Fatores hereditários e genéticos estarão na origem de metade dos casos de incontinência urinária. No entanto, os estudos efetuados até à data não conseguiram identificar as variantes genéticas associadas àquele problema.
 
O estudo conduzido por uma equipa de investigadores liderada por Rufus Cartwright do Departamento de Epidemiologia e Bioestatística do Imperial College, Londres, Inglaterra, procurou assim encontrar uma causa genética e uma possível via de tratamento para a incontinência urinária. 
 
Para efeitos de investigação, a equipa conduziu um estudo de associação do genoma completo (GWAS) em cerca de 9,000 mulheres de três grupos na Finlândia e Reino Unido. Este tipo de estudo consiste em analisar grupos completos de ADN em grupos grandes de pessoas com o intuito de encontrar variantes genéticas associadas a uma doença concreta.
 
Os resultados do estudo revelaram a existência de um locus de risco próximo do gene da endotelina, que desempenha um papel na capacidade de contração da bexiga. 
 
Os fármacos que atuam sobre a via endotelina são já utlizados para o tratamento da hipertensão pulmonar e síndrome de Raynaud (doença em que os espasmos das artérias provocam uma redução no fluxo sanguíneo, normalmente nos dedos).
 
“Estudos anteriores não tinham conseguido confirmar qualquer causa genética para a incontinência”, avançou o autor principal do estudo. 
 
À medida que se vai identificando mais variantes de risco para a incontinência urinária, surgirá o potencial de efetuar um rastreio genético para a doença, bem como melhorar o aconselhamento às grávidas sobre o risco de incontinência para que estas façam uma escolha informada sobre o tipo de parto. 
 
“Sabemos que uma cesariana oferece proteção substancial contra a incontinência. No entanto existem esforços na Europa para reduzir a taxa de cesarianas e o estabelecimento de um programa de rastreio deste género poderá ser contra os objetivos políticos atuais em muitos sistemas de cuidados de maternidade”, argumentou Rufus Cartwright.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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