Incontinência urinária: botox é eficaz no tratamento

Estudo publicado no "European Urology Journal"

28 março 2012
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A utilização de botox (toxina botulínica) no tratamento da incontinência urinária é “eficaz e seguro”, de acordo com um estudo internacional, liderado por Francisco Cruz da Faculdade de Medicina do Porto.

 

“É muito mais eficaz do que os tratamentos que já existiam, por isso é que nós estávamos a utilizá-lo, de uma forma não aprovada, mas com autorização das comissões de ética dos hospitais. Aliás, é duplamente eficaz, porque trata a incontinência e protege os rins”, revelou Francisco Cruz, em declarações à agência Lusa.

 

Os investigadores avaliaram uma amostra de 275 pacientes, com idades compreendidas entre os 18 e os 80 anos, que reportaram, em média, 33 episódios de incontinência urinária por semana e sofriam de esclerose múltipla ou de lesões na medula-espinal.

 

A um terço dos participantes foi injetado, de forma minimamente invasiva, 200 miligramas (mg) de botox, o outro terço foi tratado com 300 miligramas e ao terceiro grupo foi administrado um placebo. Ao fim de duas semanas, os investigadores registaram “uma melhoria significativa dos sintomas nos pacientes injetados com toxina botulínica. No final das seis semanas, 38 % dos pacientes tratados com 200 mg de botox e 39 % dos doentes que receberam 300 mg dessa substância estavam continentes, isto é, “controlavam integralmente a sua vontade de urinar”.

 

Francisco Cruz explicou que o estudo permitiu ainda definir a dose ideal a administrar a estes pacientes. “Embora as duas doses tenham sido bem toleradas sem diferenças clínicas relevantes na eficácia ou duração do efeito, os resultados sugerem que a dose de 200 mg apresenta benefícios em termos de segurança”, sustentou.

 

A utilização de botox para tratar a incontinência urinária em doentes com doenças neurogénicas já foi aprovada em vários países da Europa como Portugal, França, Irlanda, Finlândia, Reino Unido e, também, nos EUA.

 

Este foi o maior estudo desenvolvido para avaliar a eficácia e segurança do uso do botox na incontinência urinária, tendo reunido 63 centros de investigação.

 

“Um estudo destes, que envolve 275 doentes, em 63 centros em todo o mundo e que implica um acompanhamento durante um ano, é muito difícil de realizar”, frisou.

 

O investigador lembrou que a incontinência urinária tem “um impacto muito negativo” na qualidade de vida dos pacientes afetados e que o tratamento com anticolinérgicos (primeira linha terapêutica até ao momento) “é descontinuado por um grande número de pacientes devido aos efeitos secundários intoleráveis que estes fármacos provocam”.

 

O diretor do Serviço de Urologia do Hospital São João acredita que estes resultados vão “influenciar o tratamento deste problema em todo o mundo”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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