Imunoterapia oral promissora no tratamento de alergias a leite e a ovos em crianças

Estudo publicado no jornal científico “New England Journal of Medicine”

23 julho 2012
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Os ovos e o leite são alimentos responsáveis pelas alergias alimentares mais comuns. Embora o tratamento para estas alergias consista normalmente em evitar a exposição a esses alimentos, o leite e os ovos são ingredientes que são encontrados em muitas receitas, tornando-se difícil evitá-los na totalidade.
 

Um estudo recente, que contou com o apoio dos National Institutes of Health, EUA, demonstrou que a imunoterapia oral, ou seja, a exposição gradual a quantidades crescentes da proteína do alimento (tal como a proteína do ovo) poderá conduzir à possibilidade de desenvolvimento de tolerância às alergias alimentares.
 

A equipa liderada pelo Dr. A. Wesley, diretor do departamento de Pediatria da University of North Carolina em Chapel Hill, EUA, procurou, neste estudo, tratar crianças alérgicas a ovos e a leite. O grupo foi seguido durante 24 meses.
 

As crianças alérgicas a ovos tinham idades compreendidas entre os 5 e os 11 anos de idade. O grupo de 55 crianças foi dividido em dois: um com 40 crianças, às quais foram oferecidas doses diárias crescentes de pó de clara de ovo, até atingirem um consumo diário equivalente a um terço de ovo. Às restantes 15 crianças foram oferecidas doses crescentes de placebo. Os grupos foram submetidos a vários testes alimentares após 10, 22 e 24 meses após o início do ensaio. No final do estudo, 11 dos 40 participantes eram capazes de consumir ovos sem experimentarem qualquer reação alérgica.
 

O estudo da alergia ao leite incluía 12 crianças gravemente alérgicas a este alimento e com idades compreendidas entre os 2 e os 15 anos. A todas as crianças do grupo foram oferecidas quantidades crescentes de leite diluído durante um período de seis semanas. Dez semanas após o ensaio, as 12 crianças conseguiam beber dois copos de leite por dia sem desenvolverem qualquer reação alérgica. Dois anos mais tarde, estas crianças continuavam a ser capazes de beber um copo de leite por dia.
 

“Embora estes resultados indiquem que a imunoterapia oral (IO) possa ajudar a resolver certas alergias alimentares, este tipo de terapia encontra-se ainda numa fase experimental, sendo necessário efetuar mais pesquisa”, afirma Daniel Retrosen, médico e diretor da Division of Allergy, Immunology and Transplantation do National Institute of Allergy and Infectious Diseases, EUA. “Gostaríamos de salientar que a IO alimentar e os desafios alimentares orais não devem ser efetuados em casa devido ao facto de apresentarem um risco grave de reações alérgicas”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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