Imunoterapia mostra resultados prometedores na luta contra melanomas

Novo método de tratamento do cancro

19 setembro 2002
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Um novo método de tratamento do cancro, que consiste em substituir células imunitárias de um doente por outras células "assassinas" desenhadas à medida para lutar contra os tumores, apresentou resultados prometedores em melanomas.
 

 

Esta técnica de imunoterapia, desenvolvida no Instituto nacional contra o cancro dos Estados Unidos, demonstrou a eficácia de células imunitárias activadas em laboratório contra os tumores específicos do doente e depois introduzidas nesse indivíduo para atacar o cancro.
 

 

Os investigadores vêem nesta técnica potencial para tratar outros tipos de cancro e até doenças infecciosas como a sida.
 

 

Nos testes clínicos, cujos resultados são publicados hoje na edição electrónica da revista Science, participaram 13 doentes com melanoma (em que os tratamentos clássicos não tinham resultado) e foram sujeitos à injecção de linfócitos T cultivados à medida para cada doente.
 

 

Os resultados foram considerados muito positivos já que os tumores regrediram pelo menos 50 por cento em seis doentes. Quatro doentes registaram resultados mais débeis e em três o método não teve qualquer efeito.
 

 

Os dois doentes que melhor reagiram ao tratamento viram os seus tumores reduzirem-se em cerca de 95 e 99 por cento, até agora sem regressão, passados que estão respectivamente 24 e dez meses após o tratamento.
 

 

O tratamento do cancro através da utilização de células imunitárias já tinha sido tentado mas estas células tinham dificuldades em sobreviver no organismo.
 

 

"No passado, apenas um por cento das células que injectávamos conseguiam sobreviver", explicou o principal autor do estudo, Steven Rosenberg, do Instituto nacional contra o cancro, dependente dos Institutos nacionais da saúde dos EUA (NIH).
 

 

Os investigadores registaram grandes progressos na forma de gerar células imunitárias em laboratório e na preparação do organismo do doente antes de receber estas células.
 

 

"Conseguimos produzir uma grande quantidade de células imunitárias que surgem no sangue e constituem o essencial do sistema imunitário do doente. Estas últimas sobrevivem durante mais de quatro meses e são capazes de atacar o tumor", acrescentou Rosenberg.
 

 

Para conseguir estes resultados, os investigadores utilizaram um fragmento do tumor de cada paciente para cultivar os linfócitos T em laboratório, a partir das células imunitárias do próprio doente.
 

 

A exposição ao tumor activou então as células imunitárias, permitindo-lhes reconhecer e atacar as células cancerosas.
 

 

Quando os linfócitos T já eram suficientemente numerosos, foram administrados aos doentes que receberam também uma dose importante de proteínas de tipo "interleucina-2", que estimulam o crescimento das células imunitárias no organismo.
 

 

O início da experiência de imunoterapia foi precedida em cada doente de quimioterapia destinada a privá-lo das suas próprias células imunitárias ineficazes contra o cancro, permitindo aos novos linfócitos T repovoar o sistema imunitário do paciente.
 

 

"É muito raro conseguir activar uma grande quantidade de linfócitos T no organismo. Quando um organismo saudável combate a gripe estão activos cerca de 3 por cento dos linfócitos T. Em cada um dos nossos doentes, estão activos 90 por cento dos linfócitos T e assim se mantêm durante mais de quatro meses. É um resultado espantoso", sublinhou ainda Rosenberg.
 

 

Em seguida, o sistema imunitário normal dos doentes reconstituiu-se, permitindo-lhe lutar contra as infecções de outros tipos, segundo os investigadores, que registaram apenas algumas infecções menores durante este ensaio de imunoterapia.
 

 

 

Fonte: Lusa
 

 

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