Imunoterapia: efeitos secundários são desconhecidos

Especialistas querem registo oncológico

29 setembro 2016
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Os efeitos dos tratamentos oncológicos de imunoterapia necessitam de ser estudados. Segundo um painel de especialistas ainda não se conhecem as consequências a médio e longo prazo deste tipo de terapêutica, sendo por isso aconselhável a criação de um registo oncológico nacional único.
 

O estudo “Consenso Estratégico sobre o Valor da Imuno-Oncologia em Portugal” refere que a imunoterapia contribui para o aumento de anos de vida com qualidade e apresenta maior capacidade de gestão dos efeitos secundários no doente.
 

Contudo, é ressalvado “o desconhecimento total a médio e longo prazo, dos efeitos sobre a gravidez e fertilidade e sobre as doenças autoimunes associadas aos fármacos” da imunoterapia.
 

Aliás, na análise ao modelo de financiamento e aos custos totais da imuno-oncologia, o grupo de peritos advoga que “os custos diretos e indiretos poderão ser bem mais elevados na gestão de todos estes efeitos secundários”.
 

Os peritos sugerem assim a criação de um registo oncológico nacional único precisamente para permitir monitorizar com rigor e a longo prazo a utilização da imunoterapia, percebendo os seus efeitos secundários ao longo do tempo, que são atualmente desconhecidos.
 

Contudo, salientam que o grande ganho da imunoterapia se centra na forma como conseguiu alterar o curso da doença, prolongando a vida dos doentes com melhor qualidade de vida.
 

“Tem-se conseguido demonstrar uma regressão sustentada e duradoura nalgumas situações, transformando alguns casos de doença agressiva em doença crónica, pouco sintomática”, indica o estudo ao qual a agência Lusa teve acesso.
 

No entanto, apenas alguns tipos de tumores em determinados estadios da doença oncológica beneficiam destes fármacos de imunoterapia. A imuno-oncologia, que foi considerada pela revista “Science” como o avanço científico mais significativo de 2013, tem sido usada sobretudo em tumores hematológicos, melanomas ou tumores do rim.
 

Relativamente à forma de pesar ou mediar os efeitos dos tratamentos, o painel de peritos entende que a sobrevivência global não pode ser o único fator a considerar, nem o mais importante. A qualidade de vida e a sobrevivência livre de progressão da doença devem ser tidos em conta.
 

Para a utilização da imunoterapia com sucesso, os especialistas recomendam a criação de linhas gerais de orientação europeias e internacionais que se apliquem à realidade nacional.

 

O acesso dos doentes tem ainda de ser melhorado e muitas modificações necessitam de ser introduzidas no sistema de saúde, a começar pela formação dos futuros profissionais de saúde.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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