Imuno-oncologia tem benefícios muito comprovados

Declarações de uma especialista

11 abril 2016
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A imuno-oncologia já tem “benefícios muito comprovados”, em vários tipos de cancro, disse a oncologista Ana Castro, do Centro Hospitalar do Porto (CHP), defendendo o acesso precoce dos doentes a este tipo de terapia.
 
“A imuno-oncologia é um conceito um bocadinho diferente do que tínhamos até agora. Antes, tínhamos tratamentos dirigidos ao tumor, mas na inumo-oncologia treinamos o sistema imunitário para responder ao tumor, ou seja, são as nossas células T que vão ser os ‘soldados’ que matam as células tumorais”, explicou a médica à agência Lusa.
 
Este é “um princípio que, em si só, é muito atrativo”, até porque a imuno-oncologia é menos agressiva do que as terapêuticas tradicionais, como as que recorrem aos quimioterápicos, e já tem resultados muito positivos, acrescentou.
 
Ana Castro referiu que a oncologia como existe até agora deverá “deixar de fazer sentido no futuro”, graças aos avanços na imuno-oncologia, que pode passar a ser a espinha dorsal da atuação oncológica.
 
A investigadora acrescentou que todos os dias surge inovação nesta área, exemplificando que, na última quarta-feira, as autoridades europeias aprovaram a utilização do “nivolumab”, uma nova terapêutica de imuno-oncologia para o cancro do rim com metástases.
 
“Foi uma das aprovações mais rápidas a que assistimos nos últimos tempos. Isto prende-se com o facto de, nos ensaios clínicos, comparados com a terapêutica que tínhamos disponível, termos conseguido observar um ganho em termos de sobrevivência global mediana de 12 meses”, disse.
 
Em Portugal existem doentes com cancro do rim em tratamento com esta terapêutica, por uso compassivo: “Na minha instituição, temos oito doentes em tratamento, mas em Portugal acredito que até haja mais. Os resultados clínicos foram tão bons que, antes da aprovação, o laboratório disponibilizou” a terapêutica, caso “as instituições pedissem”.
 
Para Ana Castro, o rápido acesso a estes novos fármacos é importante para que os doentes possam ter ganhos de sobrevivência e de qualidade de vida. A investigadora defende assim a importância dos Programas de Acesso Precoce (PAP) para estas terapêuticas: “Já vamos tendo vários PAP para a imunoterapia, mas ainda um bocadinho aquém daquilo que gostaríamos”.
 
Segundo a médica, “tão importante como a negociação dos preços”, por parte das autoridades nacionais, “é garantir que os doentes tenham acesso” a estas terapêuticas inovadoras.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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