Implantes cocleares derrubam muros de silêncio

Declarações do coordenador do Serviço de Otorrinolaringologia de Coimbra

23 julho 2013
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Já foram instalados pelos médicos da Unidade Funcional de Implantes Cocleares do Centro Hospital e Universitário de Coimbra (CHUC) implantes cocleares em cerca de 400 crianças, o que lhes permitiu ter acesso ao mundo do som e a possibilidade de desenvolver linguagem audio-oral.
 

O coordenador desta unidade do Serviço de Otorrinolaringologia instalada no chamado Hospital dos Covões, em Coimbra, alertou para a necessidade de estes implantes serem feitos o mais precocemente possível, sobretudo entre o primeiro e o segundo ano de vida da criança, para que o tratamento resulte em sucesso.
 

“Todos nascemos programados biologicamente. O ideal é aprender a falar até aos dois anos. Entre os dois e três anos ainda é considerado um período aceitável, mas depois dos três anos a taxa de sucesso reduz-se bastante”, revelou à agência Lusa, o clínico, em declarações à Lusa Carlos Ribeiro.
 

Recordando que mais de 90% destes implantes são feitos em Coimbra (as cirurgias pediátricas são feitas no Hospital Pediátrico, mas todo o outro trabalho é efetuado nos Covões), Carlos Ribeiro explicou à Lusa que, “ quando uma criança nasce com uma surdez severa profunda, ou profunda, não tem capacidade para ouvir o suficiente para criar linguagem”.
 

“Quando o grau de surdez é muito elevado, as próteses auditivas não conseguem compensar os graus acentuados de surdez. Essas crianças estavam condenadas, por isso, a não formar capacidades audio-orais. E isso é sempre limitativo para o desenvolvimento das crianças numa sociedade que vive da comunicação”, explicou.
 

O coordenador da unidade, satisfeito por este “avanço tecnológico incrível”, que permite o “acesso ao mundo dos sons e a saída do mundo do silêncio”, disse ainda que as crianças implantadas, embora tenham depois alguma dificuldade em “ambientes sonoros adversos”, não sentem qualquer problema nos ambientes escolares e familiares, conseguindo uma “adaptação totalmente normal”.
 

Os estudos demonstram que as crianças implantadas demoram praticamente o mesmo tempo a descodificar os sons - transformando-os em linguagem audio-oral - do que as crianças ditas normais, isto é, o tempo de aprendizagem é semelhante, mesmo que as implantadas, eventualmente, comecem mais tarde as descobertas.
 

A sonoridade da língua portuguesa, por outro lado, é outra das vantagens para os implantes realizados em Portugal, explicou Carlos Ribeiro, que salientou a excelência do trabalho desenvolvido em Coimbra e o sucesso que a unidade tem conseguido internacionalmente, facto que permite que o país realize, em 2017, o mais importante congresso deste setor da Saúde.
    

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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