Implante pode impedir doença de Alzheimer?

Estudo publicado na revista “Brain”

21 março 2016
  |  Partilhar:

Investigadores suíços desenvolveram uma cápsula implantável que pode fazer com que o sistema imunitário de um paciente combata a doença de Alzheimer, refere um estudo publicado na revista “Brain”.
 

Uma das hipóteses da causa da doença de Alzheimer é o excesso de acumulação da proteína beta-amiloide em diferentes áreas do cérebro, o que leva à deposição de placas de agregados proteicos, que são tóxicos para os neurónios.
 

Uma das formas mais promissoras de combater as placas é através da "marcação" da proteína beta-amiloide com anticorpos que indicam ao sistema imunitário do doente para atacar e eliminá-la. Para ser mais eficaz, este tratamento tem de ser administrado o mais cedo possível, antes dos primeiros sinais de declínio cognitivo. Uma vez que este tratamento requer a administração de várias vacinas, pode causar efeitos colaterais.
 

Neste estudo, os investigadores da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, ultrapassaram este problema com um implante que pode fornecer um fluxo constante e seguro de anticorpos para o cérebro do paciente de forma a eliminar a proteína beta-amiloide.
 

Os investigadores desenvolveram uma cápsula bioativa que contém células geneticamente modificadas para produzir anticorpos contra a beta-amiloide. A cápsula é implantada debaixo da pele e, ao longo do tempo, as células produzem e libertam um fluxo constante de anticorpos para a corrente sanguínea, que chega ao cérebro e atinge as placas de beta-amiloide.
 

A cápsula, denominada dispositivo de macroencapsulação, é constituída por duas membranas permeáveis seladas com uma armação de polipropileno. O dispositivo tem 27 mm de comprimento, 12 mm de largura e 1,2 mm de espessura, e contém um hidrogel que facilita o crescimento das células. Todos os materiais utilizados são biocompatíveis, tendo o laboratório utilizado um método que é facilmente reprodutível para a produção em larga escala.
 

Os investigadores referem que as células no interior da cápsula são importantes. Para além de terem de produzir anticorpos, têm também de ser compatíveis com o paciente, de modo a não ativar o sistema imunitário contra elas, tal como pode acontecer num transplante. Desta forma, as membranas da cápsula desempenham um papel importante ao proteger as células de serem identificadas e atacadas pelo sistema imunitário. Esta proteção significa também que as células de um único dador podem ser utilizadas em vários pacientes.
 

Antes de serem encapsuladas, as células têm de ser geneticamente modificadas para produzir anticorpos que reconheçam especificamente a proteína beta-amiloide. As células são retiradas do tecido muscular e as membranas permeáveis permitem que estas interajam com o tecido circundante para obter todos os nutrientes e moléculas de que necessitam.

 

O estudo apurou que a utilização deste dispositivo em ratinhos habitualmente utilizados para simular a doença de Alzheimer conduziu a uma grande redução das placas beta-amiloide. Verificou-se que o fluxo constante de anticorpos produzido pela cápsula, ao longo de 39 semanas, impediu a formação das placas no cérebro dos animais. Este tratamento também reduziu a fosforilação da proteína tau, um outro sinal da doença de Alzheimer.
 

Na opinião dos investigadores, este estudo demonstra claramente que os implantes de células encapsuladas podem ser utilizados com sucesso e segurança para fornecer anticorpos capazes de tratar a doença de Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas que apresentem proteínas defeituosas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.