Implantadas vaginas desenvolvidas em laboratório

Estudo publicado na revista “The Lancet”

15 abril 2014
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Quatro adolescentes receberam, com sucesso, órgãos vaginais que foram desenvolvidos laboratorialmente a partir das suas próprias células, dá conta um estudo publicado na revista “The Lancet”.
 

As pacientes nasceram com a síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser, uma condição genética rara na qual a vagina e o útero se encontram subdesenvolvidas ou ausentes. No entanto, este tratamento também poderá ser potencialmente utilizado em pacientes com cancro da vagina ou danos neste órgão.
 

As adolescentes tinham entre 13 e 18 anos quando foram submetidas às cirurgias, as quais se realizaram entre 2005 e 2008. Dados registados ao longo das consultas anuais de acompanhamento revelaram que mesmo após oito anos, os órgãos apresentavam uma função normal.
 

“As biopsias tecidulares, as imagens obtidas por ressonância magnética e os exames internos confirmaram que as vaginas desenvolvidas eram similares tanto em termos de forma como de função às do tecido nativo”, referiu, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Atlantida-Raya Rivera.
 

Adicionalmente as respostas dadas pelas pacientes a um questionário de avaliação da sua função sexual mostraram que esta função se encontrava normal após a cirurgia.
 

Os investigadores do Wake Forest Baptist do Instituto de Medicina Regenerativa, nos EUA, explicam que a estrutura dos órgãos foi desenvolvida a partir do músculo e células epiteliais, retiradas através de biópsia, dos genitais externos de cada paciente. As células foram posteriormente extraídas destes tecidos, expandidas e colocadas num material biodegradável com a forma da vagina de cada paciente.
 

Cinco a seis semanas após a biópsia, os investigadores criaram um canal na pelve das pacientes e suturaram o molde com as estruturas reprodutoras desenvolvidas. Ao longo do tempo, o molde foi absorvido pelo organismo e o sistema nervoso e os vasos sanguíneos penetraram na nova cama de células. No final, o tecido tinha as três camadas normais da vagina.
 

“Este estudo piloto é o primeiro a demonstrar que os órgãos vaginais podem ser construídos laboratorialmente e serem utilizados com sucesso nos humanos. Esta pode ser considerada uma nova opção de tratamento para as pacientes que necessitam de cirurgia reconstrutiva vaginal. Adicionalmente este estudo é um exemplo de como as estratégias de medicina regenerativa se podem aplicar a vários tecidos e órgãos”, conclui a investigadora.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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