Impacto da cafeína na incidência do défice cognitivo ligeiro

Estudo publicado no “Journal of Alzheimer’s Disease”

19 agosto 2015
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Um novo estudo levado a cabo por cientistas italianos avaliou a relação entre os hábitos de consumo de café e a incidência de défice cognitivo ligeiro (DCL), tendo concluído que o risco de DCL aumentava com o aumento do consumo de café, assim como com o consumo esporádico e inexistente.
 
O DCL é considerado uma fase precursora da doença de Alzheimer e da demência. Visto não haver tratamento eficaz para esta condição neurodegenerativa, é importante a identificação e gestão de fatores de risco ou de proteção. Nesse âmbito, existem fatores de prevenção associados à dieta, sendo a cafeína uma das substâncias estimulantes mais consumidas em todo o mundo e geralmente relacionada com o aumento do estado de alerta e a melhoria do desempenho cognitivo.
 
Estudos anteriores sobre os efeitos a longo prazo da cafeína na função cerebral demonstraram que o consumo desta substância poderia proteger contra o défice cognitivo e demência.
 
Para esta investigação, cientistas italianos avaliaram 1.445 indivíduos selecionados entre 5.632 participantes, com idades compreendidas entre os 65 e 84 anos, do Estudo Longitudinal Italiano sobre o Envelhecimento (ILSA, sigla em inglês).
 
A análise dos dados dos participantes selecionados revelou que indivíduos mais velhos com cognição normal que tinham aumentado a quantidade de café para mais do que uma chávena por dia apresentavam uma taxa de DCL duas vezes superior em relação àqueles que tinham reduzido o consumo de café para menos de uma chávena por dia, e cerca de uma vez e meia superior em comparação com aqueles que apresentavam um consumo constante (nem mais nem menos do que uma chávena de café por dia). O estudo não detetou uma associação significativa entre aqueles que normalmente consumiam grandes quantidades de café (mais de duas chávenas por dia) e a incidência de DCL em comparação com aqueles que nunca ou raramente consumiam café.
 
Em comunicado de imprensa, os autores revelam que “os achados do Estudo Longitudinal Italiano sobre o Envelhecimento sugerem que indivíduos mais velhos com cognição normal que nunca ou raramente consomem café e aqueles que aumentaram os seus hábitos de consumo de café apresentavam maior risco de desenvolver DCL. Portanto, o consumo moderado e regular de café poderá ter efeitos neuroprotetores também contra o DCL, confirmando os achados de estudos anteriores acerca dos efeitos protetores a longo prazo do consumo de café, chá ou cafeína e dos níveis de cafeína no plasma contra o declínio cognitivo e demência”.
 
Os cientistas, no entanto, sugerem a realização de mais estudos e mais aprofundados para compreender os mecanismos subjacentes aos efeitos neuroprotetores da cafeína, na expectativa de se poderem trilhar novas formas de prevenção do DCL e demência baseados na alimentação. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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