Imigrantes portugueses nos lares do Luxemburgo estão socialmente isolados

Estudos conduzidos pela Universidade do Luxemburgo

19 julho 2017
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As dificuldades linguísticas podem conduzir ao isolamento social dos imigrantes portugueses nos lares do Luxemburgo, contribuindo para doenças como a depressão e a demência, apontam estudos da Universidade do Luxemburgo.
 
Segundo apurou a agência Lusa, uma série de estudos das investigadoras Ute Karl e Anne Carolina Ramos indicam que os imigrantes portugueses continuam a ser uma minoria nos lares e centros de dia no Luxemburgo.
 
Os estrangeiros representam 47% da população do Luxemburgo, mas continuam a ser uma minoria nos lares: só 4% dos portugueses e 22% dos italianos no país têm mais de 65 anos, aponta o estudo, citando dados do Statec, o instituto de estatísticas luxemburguês.
 
A esmagadora maioria dos utentes são luxemburgueses e preferem falar luxemburguês, uma língua que é uma barreira para os imigrantes portugueses, que só aprenderam francês, um dos três idiomas oficiais no Luxemburgo.
 
"A maioria fala francês, mas alguns só se desenrascam, como eles próprios dizem", explicou Anne Carolina Ramos. "A maioria trabalhou sempre entre portugueses: os homens na construção e as mulheres nas limpezas, e não usavam a língua nem no trabalho, nem em casa", acrescentou a investigadora.
 
Por causa das dificuldades linguísticas, "o contacto com outros utentes não pode ser facilmente estabelecido, apesar de constituir um aspeto importante do bem-estar" dos idosos, concluem as investigadoras, sublinhando que as relações sociais protegem de "doenças cardiovasculares, cancro, depressão e demência".
 
"Eles acabam por se sentir socialmente isolados, porque não conseguem comunicar com as outras pessoas", apontou Anne Carolina Ramos. Para a investigadora, é preciso encontrar soluções "para reduzir o isolamento social" dos imigrantes.
 
"Pensámos em criar departamentos para imigrantes portugueses e mediterrâneos, como italianos, porque alguns trabalharam com italianos e acham que têm muito mais em comum culturalmente com eles", defendeu, apontando que essa é uma solução já usada na Suíça.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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