Imigrantes podem ter perdido resistência a doenças endémicas

Alerta do diretor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical

29 maio 2012
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Os imigrantes podem ter perdido resistência a doenças endémicas, como a malária, avisou o diretor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical.

 

"Muitas vezes os imigrantes perdem a resistência que tinham adquirido nos países de origem e regressam desprevenidos", revelou à agência Lusa, Paulo Ferrinho.

 

De acordo com o especialista, as resistências perdem-se quando se passam longos períodos sem exposição ao mosquito que transmite a malária e ao parasita que provoca a doença e os imigrantes regressam a casa mais suscetíveis e "com risco acrescido".

 

Na opinião do diretor, "quanto mais prolongada a estadia fora do país de origem, maior a perda de resistência" e, ao fim de um ou dois anos, o imigrante "devia ter uma atenção especial, evitar a picada do mosquito e fazer profilaxia".

 

Aos portugueses que se preparam para partir, numa altura em que tem aumentado a emigração para países tropicais, como Angola ou o Brasil, Paulo Ferrinho alertou que "há muita gente que viaja sem se aconselhar quanto às precauções que deveria tomar".

 

"As estatísticas dizem que o risco é grande", recordou. O médico, especialista em medicina tropical, reconheceu que quando viajam para países onde há vacinas obrigatórias - como Angola - as pessoas recorrem à consulta do viajante, mas o mesmo não acontece quando não há obrigatoriedade.

 

"Quando nos procuram para a vacina obrigatória é uma oportunidade para as elucidarmos sobre outros riscos", disse Paulo Ferrinho. O médico explicou que por exemplo "Angola é dos poucos países em que ainda existe poliomielite no mundo. Dos países lusófonos é o único em que o risco ainda é premente. As pessoas que viajam para Angola, além das rotinas habituais, deveriam ter uma vacina ativa contra a poliomielite".

 

Interrogado sobre a evolução da procura da consulta do viajante, Paulo Ferrinho admitiu que se sente um aumento da procura por parte de pessoas que viajam para Angola, mas a nível global não tem sentido um aumento.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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