Imagiologia cerebral mostra o que se vê

Actividade geral do cérebro revela objecto que se observa

27 setembro 2001
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Olhar para uma foto de um gato é muito diferente de observar uma imagem de um cachorrinho. À luz do senso comum, esta afirmação não traz nada de novo. Do ponto de vista científico, já se sabia que a área de actividade máxima no cérebro variava em função do objecto. Mas agora investigadores do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos mostraram que nem é preciso verificar a zona mais activa para se descobrir que objecto está a ser observado.
 

 

Em dois estudos publicados na edição desta semana da revista «Science», os investigadores revelaram que pelo padrão de actividade do cérebro é possível descobrir para que tipo de «coisa» se está a olhar. Com ajuda de exames de ressonância magnética, os investigadores descobriram que uma série de outras áreas é activada paralelamente, em menor grau, de acordo com um padrão.
 

 

Sem considerar a área de maior actividade, os investigadores eram capazes de saber, pelos resultados da ressonância, se uma pessoa estava a olhar para fotos de rostos ou de gatos ou para cinco categorias de objectos (casas, cadeiras, sapatos, tesouras e garrafas).
 

 

Num outro estudo, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, as conclusões foram semelhantes. A experiência identificou uma área do cérebro que responde vigorosamente quando se olha para imagens do corpo humano, mesmo que sejam desenhos.
 

 

Código cerebral decifrado
 

 

Através das novas técnicas de imagiologia por ressonância magnética torna-se possível «entrar» e interpretar as imagens de uma forma mais activa.
 

 

Embora estes padrões sirvam exclusivamente para saber quais os objectos e rostos analisados pelos voluntários, não há duvida que poderão ser uma das chaves para decifrar o código cerebral. «A imagiologia cerebral poderá mostrar como o cérebro codifica informação complexa, como a aparência de objectos, e não apenas onde se dá essa codificação», disse Haxby, especialista que liderou a investigação.
 

 

No seu estudo, a equipa de Haxby mediu os padrões de resposta de seis voluntários, enquanto estes viam imagens de rostos humanos, gatos e cinco categorias de objectos, como casas, cadeiras, tesouras, sapatos e garrafas. Como forma de controlo, os investigadores mostraram-lhes também, aleatoriamente, imagens misturadas de imagens sem sentido.
 

 

O grau de «previsão» obtido pelos registos de imagiologia foi de cem por cento para rostos, casas e fotografias mostradas ao acaso, mas, quando as áreas de reacção máxima foram excluídas da análise, o grau de precisão desceu para 94 por cento.
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Science
 

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