Imagens podem melhorar adesão de profissionais a higiene das mãos

Estudo apresentado em conferência de epidemiologia nos EUA

23 junho 2016
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O sentimento de repugnância pode servir como instrumento eficaz na melhoria do cumprimento das normas de higiene das mãos entre os profissionais de saúde, revela um estudo apresentado na conferência anual da Associação de Profissionais de Controlo de Infeções e Epidemiologia.
 
De acordo com os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês), entidade responsável pela saúde pública nos EUA, estima-se que os profissionais de saúde realizem a higiene adequada das mãos menos de metade das vezes do que deveriam. Segundo esta instituição, os profissionais de saúde deveriam lavar as mãos cerca de 100 vezes durante um turno de 12 horas, dependendo do número de pacientes atendidos e do tipo de cuidados prestados.
 
Tal como outros hospitais, o Hospital Henry Ford, em Detroit, EUA, integra normas de higiene das mãos na prática quotidiana e presta formação contínua aos seus profissionais para lhes lembrar da importância de lavar as mãos antes de iniciar e depois de terminar qualquer interação com pacientes.
 
O estudo, levado a cabo por especialistas de controlo e prevenção de infeções deste hospital, procurou avaliar de que forma a mostra de imagens de bactérias detetadas nas mãos dos profissionais e em instrumentos de trabalho poderia ter impacto na taxa de cumprimento das normas de higiene das mãos em quatro unidades onde se verificava baixa adesão às mesmas, entre julho e setembro de 2015.
 
Cada unidade recebeu dez visitas onde foram analisados vários itens para identificar a presença de bactérias, incluindo as mãos dos próprios profissionais. Em cada visita, os profissionais tiveram a oportunidade de ver uma compilação de 12 imagens aumentadas de bactérias para demonstrar aquilo que é possível detetar ao microscópio. A taxa de cumprimento das normas de higiene das mãos foi avaliada a meio do processo e no final.
 
“Estas imagens colocam um ‘rosto’ na educação contínua sobre a higiene das mãos que os profissionais recebem”, esclarece Ashley Gregory, coautora do estudo, em comunicado.
 
Além de criarem um sentimento de repugnância, “aumentam mesmo aquilo que não conseguimos ver”, refere Eman Chami, outra coautora do estudo.
 
Os investigadores verificaram que a mostra de imagens aumentadas de bactérias descobertas em instrumentos utilizados quotidianamente no ambiente clínico (como num tapete de rato ou num computador) e nas mãos dos profissionais conduziu a um aumento da taxa de higiene das mãos em 22,9%, 36%, 142% e 37,6% nas respetivas unidades onde a intervenção se realizou.
 
“Penso que os profissionais de saúde ficam em geral insensíveis ao facto de os hospitais serem um ambiente de germes”, revela Gregory. A cientista acredita que este estudo “demonstra que as imagens podem ser muito úteis para quebrar esse distanciamento” e que tal pode funcionar como um novo instrumento de reforço da necessidade do cumprimento da higiene das mãos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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