Iluminação artificial constante pode ser prejudicial

Estudo publicado na revista “Current Biology”

19 julho 2016
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A exposição à luz artificial durante longos períodos de tempo pode ter efeitos prejudiciais para a saúde, sugere um estudo publicado na revista “Current Biology”.

“Demonstrámos que o ciclo de luz-escuridão é importante para a saúde. Verificámos que a ausência dos ritmos ambientais conduz a uma alteração grave de vários parâmetros da saúde”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Johanna Meijer.
 

Estes parâmetros incluem a ativação pró-inflamatória do sistema imunitário, perda de músculo e sinais precoces de osteoporose. De acordo com os investigadores da Universidade da Leiden, na Holanda, as alterações fisiológicas observadas eram todas indicadoras de fragilidade, como se observa habitualmente em pessoas ou animais à medida que envelhecem.
 

Contudo, os investigadores verificaram que estes efeitos negativos para a saúde são revertidos quando o ciclo de luz-escuridão é estabelecido.
 

De forma a investigar a relação entre a perda do ciclo de luz-escuridão e a doença, os cientistas expuseram ratinhos à luz durante todo o dia, ao longo de 24 semanas, e mediram vários parâmetros de saúde importantes. Estudos da atividade cerebral dos animais demonstraram que a exposição constante à luz reduzia em 70% os padrões rítmicos normais no pacemaker circadiano central cerebral do núcleo supraquiasmático.
 

O estudo apurou que a interrupção dos padrões de normais de luz e escuridão e do ritmo circadiano conduziu a uma redução da função dos músculos esqueléticos dos animais, a qual foi avaliada através de testes-padrão de força. Os ossos mostravam sinais de deterioração e os animais entraram num estado pró-inflamatório habitualmente observado na presença de agentes patogénicos ou outros estímulos prejudiciais. Após os animais terem retornado a um ciclo de luz-escuridão padrão durante duas semanas, os neurónios do núcleo supraquiasmático recuperaram rapidamente o ritmo e os problemas foram revertidos.
 

Estes achados sugerem que se deve ter em conta a quantidade de luz a que as pessoas são expostas, particularmente as que estão a envelhecer ou que estão de algum modo mais vulneráveis. Estes dados são importantes, uma vez que 75% da população mundial está exposta à luz durante a noite.
 

Johanna Meijer refere que é costume pensar na luz e escuridão como um estímulo neutro ou inofensivo no que diz respeito à saúde. “Agora damos conta que este não é o caso segundo a acumulação de vários estudos de laboratórios em todo o mundo que apontam todos na mesma direção. Possivelmente isto não é surpreendente, uma vez que a vida evoluiu sob a pressão constante do ciclo de luz e escuridão”, concluiu.  
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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