II Guerra Mundial: Soldados alemães foram drogados

Livro revela novos dados sobre utilização da cocaína no exército nazi

20 novembro 2002
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Os oficiais ao serviço de Hitler pretendiam dar cocaína ao exército alemão, com o objectivo de manter em combate soldados cansados, velhos ou feridos, mesmo quando tudo indicava que a Segunda Guerra Mundial já estava perdida, informou um novo livro publicado esta semana na Alemanha.
 

 

Uma mistura de cocaína, anfetaminas e morfina foi misturada e apresentada em comprimidos que os oficiais de Hitler imaginavam ter o poder de transformar um exército prestes ao esgotamento total em destemidos super-homens, capazes de marchar durante 24 horas.
 

 

O livro «Nazis on Speed» do criminalista alemão Wolf Kemper é o primeiro registro sobre as denominadas «pílulas D-IX», testadas em prisioneiros de guerra.
 

 

«Os oficiais cogitaram várias apresentações da cocaína que pudessem ser usadas facilmente por tropas em deslocamento. Transformaram então a droga num comprimido e até em pastilha elástica para mascar», disse o autor à Reuters.
 

 

Mas, segundo o autor, não foram só os alemães a usarem drogas na guerra. «Da mesma maneira que os exércitos Aliados - e praticamente todos os envolvidos na guerra - também experimentaram anfetaminas para manter as tropas em acção durante mais tempo.»
 

 

Kemper faz parte da equipa da Escola da Saxónia, em Lueneburg, norte da Alemanha, e trabalhou durante três anos no livro. O estudo avalia o consumo de drogas nas décadas de 30 e 40, entre a população civil e militar.
 

Para tal, a equipa analisou arquivos militares e universitários para descobrir registros originais de experiências com as «pílulas de cocaína D-IX» em campos de concentração.
 

 

Uma testemunha do campo Sachsenhausen, perto de Berlim, disse ter visto outros prisioneiros a ser forçados a marchar até a exaustão, informou Kemper. Odd Nansen também contou que as «patrulhas da pílula», que ministravam a D-IX, obrigavam os prisioneiros a marchar carregando mochilas que pesavam 20 quilos.
 

 

«Eram cobaias para uma pílula energética recentemente descoberta, testados para verificar a duração dos efeitos», escreveu Nansen no diário. "No início dos testes cantavam e assobiavam enquanto marchavam, mas, após as primeiras 24 horas, a maioria entrava em colapso.»
 

 

«No final de 1944, o exército nazi necessitava desesperadamente de novos soldados e precisavam de algo para animar os antigos e novos recrutas. A pílula D-IX era a última arma secreta de Hitler para vencer uma guerra perdida», explicou Kemper.
 

 

Após o sucesso das experiências, foram produzidas formulas com o objectivo de fornecer a droga a todos os soldados alemães, mas não foi possível chegar a uma produção em massa antes da derrota final.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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