Ignorar teste do PSA pode custar vidas

Estudo publicado na revista científica “Cancer”

23 agosto 2012
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No seguimento da publicação de um relatório que desaconselha o teste do antigénio específico da próstata (PSA) para a deteção do cancro da próstata, um novo estudo publicado na revista científica “Cancer” defende que o não rastreio pode triplicar o número de pacientes com cancro da próstata em estado avançado.

 

“O teste do PSA, apesar de todos seus prós e contras, permite detetar a doença no seu início”, declarou Edward Messing, líder deste estudo e docente de Urologia na University of Rocchester Medical Center, em Nova Iorque, EUA.

 

Messing refere que a taxa anual de mortes por cancro da próstata caiu de 49 mil na década de 90 do século passado para 28 mil atualmente e que “a única coisa que pode explicar isso é a deteção através do teste do PSA e respetivo tratamento atempado”.

 

Neste estudo foram comparados os resultados compilados pelo U.S. Surveillance, Epidemiology, and End Results entre 1983 e 1985 (antes da disseminação do teste do PSA) e de 2006 a 2008. Nos dados de 2008, oito mil casos de cancro da próstata foram diagnosticados após o mesmo se ter espalhado a outras partes do corpo. Tendo estes casos como base, os investigadores construíram um modelo que utilizou dados de cancros avançados diagnosticados nos anos 80 e conseguiram prever quantos casos de cancro da próstata avançado teriam sido diagnosticados em 2008 se o teste do PSA não fosse realizado. Este modelo revelou que em vez dos oito mil casos em 2008, teriam sido diagnosticados cerca de 25 mil.

 

Apesar disso, a U.S. Preventive Services Task-Force (USPSTF) continua a manter a opinião de que os benefícios do teste de PSA são sobrevalorizados. “O grupo de trabalho não recomenda a utilização do teste do PSA para o rastreio do cancro da próstata, visto que os benefícios não superam os malefícios”, refere Michael LeFevre, membro deste grupo e professor na University of Missouri School of Medicine. O USPSTF emitiu em Maio passado um documento que refere que demasiados cancros não letais estavam a ser tratados de forma agressiva, expondo homens que não necessitariam de tratamento a efeitos secundários graves, tais como impotência e incontinência urinária.

 

De acordo com LeFevre, “na melhor das hipóteses, apenas um em cada mil homens rastreados evita a morte por cancro da próstata durante pelo menos dez anos. Além disso, cerca de um em cada três mil homens rastreados morre em resultado de cirurgia para tratar o cancro da próstata detetado pelo teste do PSA.”

 

Antes de realizar o teste do PSA (que consiste na recolha de uma amostra de sangue que será analisado para medir uma proteína presente nas células da glândula da próstata) o paciente deve tomar conhecimento dos prós e contras associados, na opinião deste médico.

 

Messing aconselha homens com história familiar de cancro da próstata ou sintomas urinários a realizarem o teste do PSA. Homens sem estas características devem discutir a realização deste teste com o seu médico. Contudo, de acordo com Messing, nem sempre cancro detetado através de rastreios necessita de intervenção cirúrgica, quimioterapia ou radioterapia. Muitos destes casos podem ser simplesmente vigiados.

 

Otis Brawley, membro da American Cancer Society, refere que têm sido publicados vários estudos ao longo dos últimos anos acerca dos benefícios e malefícios do teste do PSA. Contudo, “nenhum destes estudos pode ser considerado conclusivo e não prova mais do que a existência de alguns malefícios associados ao tratamento”, acrescenta. A American Cancer Society ainda assim apoia este método de rastreio para determinados casos mediante avaliação com um médico.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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