Idosos têm melhor qualidade de vida

Relatório da Organização Mundial de Saúde

05 outubro 2015
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Os avanços conseguidos na medicina têm permitido aumentar a esperança de vida, o que leva a supor que os idosos têm a melhor qualidade de vida de sempre, com mais saúde e, logo, com menos custos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).
 
Segundo o Relatório Mundial sobre Envelhecimento e Saúde, realizado pela OMS, a suposição passa pelo facto de as pessoas mais velhas terem mais saúde dos que os respetivos pais ou avós.
 
"Isto somado quer dizer que 70 (anos) é o novo 60", refere a OMS no documento, avisando que essa suposição "superficialmente positiva", carrega, porém, um "gosto amargo".
 
"Se, hoje, os adultos maiores de 70 anos possuem a mesma saúde que os adultos maiores de 60 anos do passado, pode concluir-se que os adultos maiores de 70 anos de hoje estão em melhor posição para se defenderem sozinhos e, portanto, há menos necessidade de ação política para ajudá-los", argumenta a OMS.
 
Segundo o relatório, ao qual a agência Lusa teve acesso, embora haja uma "forte evidência" de que a terceira idade está a viver mais tempo, principalmente em países de alto rendimento, "a qualidade desses anos extra não é clara", uma vez que os resultados de diferentes investigações são ainda "muito inconsistentes", tanto internamente, como entre Estados. 
 
De acordo com uma análise da OMS a pessoas nascidas entre 1916 e 1958 que participaram em diversos estudos sugeriu que, mesmo que a prevalência de deficiência grave – que exige ajuda de outra pessoa para realizar atividades simples, como comer e tomar banho – possa ter diminuído, "não há mudanças significativas na prevalência de deficiência menos grave".
 
Independentemente do cenário, a investigação considerou, em geral, apenas as perdas significativas de capacidade que ocorrem normalmente durante os últimos anos de vida. 
 
"Embora 70 não aparente ser o novo 60, não há nenhum motivo para que isso não se possa tornar uma realidade no futuro. Porém, torná-lo uma realidade exigirá muito mais ações de saúde pública concentradas no envelhecimento" para garantir essa qualidade de vida, defende a OMS.
 
Por outro lado, o envelhecimento da população vai aumentar menos os custos com cuidados de saúde do que o esperado, entrando aí nova suposição, ligada à ideia de que as crescentes necessidades dos idosos levarão a aumentos insustentáveis nos custos de saúde. 
 
"Na realidade, esse cenário não está muito claro. Embora a idade avançada seja geralmente associada a um aumento nas necessidades de saúde, a associação à utilização de cuidados de saúde e a despesa é variável", refere a OMS.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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