Idosos são mais vulneráveis à violência doméstica

Psiquiatra João Redondo explica os motivos

30 março 2015
  |  Partilhar:

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) revela que os casos de violência contra idosos têm vindo a aumentar. Em 2013 foram registadas 774 situações de abuso e em 2014 esse número aumentou para as 852.


João Redondo, psiquiatra e coordenador da Unidade de Violência Familiar do Serviço de Psiquiatria do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra disse à agência Lusa que “em consequência da deterioração física e cognitiva que geralmente acompanha a velhice, é mais difícil para os idosos deixar um relacionamento abusivo ou tomar decisões corretas”.


Infelizmente, muitas vezes o agressor é a única companhia da vítima.


Conforme explica João Redondo, estas situações de abuso nem sempre são fáceis de detetar, pois os próprios protagonistas escondem a situação de todos e a sociedade em geral nem sempre assume os maus tratos contra o idoso como um problema de violência.


Para os profissionais também não é fácil intervir nestas situações. A violência sobre o idoso não pode ser solucionada adequadamente se as suas necessidades essenciais (alimentação, abrigo, segurança e acesso à assistência à saúde) não forem atendidas.


Estas situações requerem, por isso, “uma intervenção multidisciplinar, multissetorial e em rede que, a par com a proteção e o apoio às vítimas e com a intervenção junto do agressor, promova a não-violência, com consequências nas políticas sociais e de saúde, na educação e nos valores”.


Estas situações de violência contra os idosos em contexto familiar, depois de identificadas e sinalizadas pelos cuidados de saúde primários, serviços hospitalares ou instituições de cuidados continuados, deverão incluir a participação de elementos das redes sociais de suporte (primárias e de serviços).


O psiquiatra explica também que caberá à rede facilitar e dar apoio na exposição de queixas às instâncias judiciais, documentar e validar as declarações da pessoa, realizar visitas domiciliárias de surpresa, informar o idoso sobre os seus direitos legais, ensinar medidas de proteção e encaminhar ou tratar o cuidador, “minimizando com estas medidas os riscos de nova vitimização”.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.