Idosos na estrada...

Estudo comprova que capacidade de conduzir diminui com a idade

06 outubro 2003
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As notícias sobre acidentes na estrada não são raras em Portugal. Quase todas as semanas temos más novas sobre mais sinistros rodoviários. E os números são assustadores. E se hoje em dia muito poucos passam sem carro, a verdade é que muitas pessoas que conduzem não o deveriam fazer.
 

 

Esta é a conclusão de um estudo realizado pela Universidade Washington em Saint Louis, nos EUA, o qual demonstrou que a capacidade das pessoas para conduzir diminui com a idade. Publicado na edição de outubro da revista «Journal of the American Geriatrics Society», o levantamento tinha por principal objectivo estabelecer o quanto as pessoas com demência leve se tornavam perigosas ao volante.
 

 

Como parece óbvio, os condutores com demência leve tornam-se muito perigosos ao volante, mas os investigadores surpreenderam-se por ver que mesmo indivíduos saudáveis também avaliados no estudo perdiam a capacidade de conduzir uma viatura.
 

«Como esperávamos, pessoas com demência, geralmente em estágios leves, tiveram uma queda mais rápida das suas capacidades, mas é interessante notar que houve um declínio mesmo em participantes não-dementes», disse à Reuters Janet M. Duchek, autora do estudo. «Esse é um estudo preliminar, mas sugere ser necessário testar indivíduos com demência leve em cada seis meses para identificar aqueles que se tornam inseguros.»
 

 

Segundo os investigadores, é impossível prever a performance ao volante baseado apenas no diagnóstico da demência, causada principalmente pela doença de Alzheimer. Deste modo, os cientistas elaborarem um test-drive de 45 minutos, no trânsito normal, com pacientes nessas condições.
 

 

Em 1997, 41 por cento dos pacientes com demência causada por Alzheimer falharam nos testes, 14 por cento dos que tinham demência muito leve e três por cento dos participantes sem demência. Esse mesmo grupo foi analisado novamente no decorrer deste estudo. O grupo afectado por Alzheimer teve um declínio significativo das capacidades de condução, mas a idade, por si só, já surgiu no estudo como um factor de risco no trânsito, uma vez que o grupo de pacientes sem demência também teve as suas capacidades de guiar deterioradas, ainda que a um ritmo mais lento.
 

 

Segundo os investigadores, outras mudanças que a idade causa, fora das perturbações mentais, devem contribuir para aumentar os problemas na performance durante a condução de veículos e, por isso, devem ser investigadas em grupos maiores.
 

 

Os sintomas de que o condutor está a perder a capacidade de conduzir incluem dificuldade em manter a velocidade, não fazer ultrapassagens ou hesitar nas curvas.
 

 

Os investigadores também recomendam às famílias dos idosos e daqueles que têm problemas mentais, bem como a profissionais de saúde que os acompanham, que sejam dotados de permissão jurídica para interferir, impedindo-os de conduzir antes que causem mais uma tragédia.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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