Idosos com alta médica mantidos em hospitais

Muitas famílias com dificuldades económicas não vão buscar os familiares idosos

21 agosto 2013
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Muitos idosos com alta médica hospitalar são mantidos no hospital porque as dificuldades económicas impedem muitas vezes as famílias de os irem buscar hospitais.

 

Apesar de o fenómeno do protelamento de alta por motivos sociais não ter aumentado nos últimos anos, constitui uma realidade com a qual os hospitais têm de lidar e que necessita de soluções, havendo casos em que já se “antecipam” na procura de resposta, para evitar o abandono.

 

A agência Lusa constatou, em visitas por hospitais de Lisboa, Porto e Faro, a existência de vários idosos internados com alta médica, mas cujas famílias não os vão buscar devido a constrangimentos económicos e, por vezes, físicos.

 

Segundo o Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), os doentes são maioritariamente do sexo feminino, com idade superior a 70 anos, com doenças crónicas e incapacitantes, totalmente dependentes ou semidependentes, com famílias que apresentam dificuldades em prestar-lhes apoio efetivo. Segundo o Hospital de Faro, o perfil dos doentes é semelhante, acrescentando os casos de pessoas que vivem sós, sem apoio familiar, em isolamento social ou os sem-abrigo.

 

Só no Hospital de São José encontram-se 27 doentes à espera de encaminhamento pelos serviços sociais. No CHLC, no final da primeira semana de agosto, encontravam-se dez doentes com protelamentos por motivos sociais e 17 outros protelados que aguardavam já resposta da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI). Estas situações são encaminhadas pelos serviços sociais dos hospitais, que procuram resposta para integração em lares, centros de dia ou apoio domiciliário.

 

A coordenadora da Unidade de Ação Social do Centro Hospitalar de São João, Elsa Araújo, explica que a unidade trabalha juntamente com as famílias para tentar “minimizar ou eliminar os efeitos negativos das incapacidades do doente, perspetivando a sua reintegração no meio familiar”. No entanto há casos em que a alta social tem que ser a integração num lar.

 

Registou-se uma diminuição de pedidos de colocação de doentes em lares de terceira idade entre 2011 e 2012, de 53 para 42. Este ano foram submetidos 31 pedidos até ao mês de junho.

 

Segundo uma fonte do Centro Hospitalar do Porto não se registou uma diferença em relação a anos anteriores, acrescentando que “são poucos casos anuais” registados naquela instituição.

 

No Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) embora sejam raros os casos de abandono de doentes pela família, estão a aumentar os de idosos, cujas famílias não tem condições para lhes prestarem os cuidados de que necessitam ou que vivem sós e sem condições para regressarem ao domicílio.

 

A família "por falta de recursos humanos e financeiros, não reúne condições para levar [consigo] o seu doente”, constituindo a RNCCI “uma resposta social para muitos destes casos”. Em 2012, “foram referenciados 1226 (quase todos idosos) e nos primeiros seis meses do ano de 2013 já foram referenciados 675 casos”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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