Idioma materno nunca é esquecido

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

20 novembro 2014
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Investigadores do Canadá constataram que o cérebro pode reconhecer um idioma aprendido durante a primeira infância mesmo que a criança o deixe de ouvir ao longo de vários anos, sugere um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

Estudos anteriores já tinham constatado que o cérebro das crianças forma representações dos estímulos sonoros presentes na linguagem. Neste estudo, os investigadores da Universidade de McGill, no Canadá, decidiram averiguar se o cérebro mantinha estas representações mais tarde na vida, mesmo na ausência contínua da exposição à linguagem.
 

Para o estudo, os investigadores, liderados por Fred Genesee, contaram com a participação de 48 raparigas que tinham entre nove e 17 anos, as quais foram divididas em três grupos distintos. Um dos grupos era constituído por raparigas que tinham nascido e crescido numa família que falava francês e eram consideradas monolingues. O segundo grupo era composto por raparigas que tinham sido expostas ao idioma chinês na primeira infância, mas que tinham sido adotadas por uma família francesa não tendo ficado com recordações conscientes do chinês. O terceiro grupo era composto por raparigas bilingues em francês e chinês.
 

Todas as participantes foram submetidas a ressonâncias magnéticas enquanto ouviam as mesmas palavras em chinês.
 

O estudo apurou que o padrão de atividade neuronal das meninas chinesas que tinham sido adotadas e nunca mais tinham ouvido este idioma era similar à das raparigas que falavam chinês desde a nascença. Este padrão era completamente diferente do das participantes monolingues.
 

O estudo sugere que a informação adquirida no início da vida não só se mantem no cérebro, como inconscientemente influencia o processamento cerebral durante anos, talvez ao longo de toda a vida. De acordo com os investigadores, estes achados podem contrariar argumentos, não só no campo da aquisição da linguagem, mas em vários domínios, que defendem que as representações neurais são substituídas ou perdidas pelo cérebro ao longo do tempo.
 

Na opinião dos autores do estudo, as implicações desta descoberta são grandes, e abrem portas para a questões relativas tanto à reaprendizagem de uma língua ou de uma capacidade adquirida no início da vida, mas que foi posteriormente esquecida, bem como a influência inconsciente das primeiras experiências no desenvolvimento posterior.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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