Identificados factores de risco genético para a malária cerebral

Estudo publicado no “Plos One”

20 junho 2010
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Os primeiros factores de risco genético para o desenvolvimento da manifestação mais grave da malária, a malária cerebral, foram identificados em crianças angolanas, revelou um estudo publicado no “Plos One”.

 

Estudos anteriores já haviam confirmado que factores genéticos influenciam a forma como as pessoas reagem à infecção pelo parasita causador desta doença infecciosa, o Plasmodium falciparum. Se há algumas pessoas que desenvolvem sintomas leves, outras há que desenvolvem manifestações severas, como a malária cerebral, uma complicação grave e mortal da malária. No entanto, pouco se sabia sobre os factores que aumentavam a susceptibilidade a determinadas complicações da malária.

 

Para este estudo, uma equipa internacional de investigadores, liderada por Carlos Penha-Gonçalves do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), em Oeiras, contou com a participação de 749 crianças, com idades compreendidas entre os seis meses e os 13 anos de idade, provenientes de Luanda, uma província de Angola onde a malária é a primeira causa de morbilidade e mortalidade. Este grupo de participantes incluía crianças saudáveis, crianças que tinham desenvolvido malária cerebral e pacientes que, apesar de infectados, não apresentavam sintomatologia tão grave.

 

Com o auxílio de técnicas de mapeamento genético, os investigadores identificaram variações em dois genes, o TGFB2 e o HMOX, que contribuem para o desenvolvimento da malária cerebral nas crianças angolanas. Foi, assim, possível concluir que os portadores destas variantes estão em maior risco de desenvolver malária cerebral caso sejam infectados com o Plasmodium falciparum.

 

Carlos Penha-Gonçalves revela que esta descoberta poderá ajudar “em estudos futuros de associação genética e funcionais, noutro tipo de população, a identificar o exacto papel destes genes no desenvolvimento da malária cerebral. No futuro, esta bateria de variações genéticas pode ser utilizada para identificar os pacientes que são mais susceptíveis a este tipo de manifestação da malária e prevenir o seu desenvolvimento.”

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A
 

 

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