Identificado regulador metabólico da epilepsia

Estudo publicado na revista “Neuron”

28 maio 2012
  |  Partilhar:

Os neurologistas já há muito que têm conhecimento que uma dieta rica em gorduras e baixa em hidratos de carbono pode reduzir as convulsões epiléticas em pacientes resistentes ao tratamento. O estudo agora pulicado na revista “Neuron” associa a resistência às convulsões a uma proteína que modifica o metabolismo celular no cérebro.

 

A epilepsia é um distúrbio neurológico caracterizado por convulsões repetidas, uma atividade elétrica anormal do cérebro, perda de controlo motor ou perda de consciência. Em alguns casos esta doença pode ser melhorada através da adoção de uma dieta cetónica, baixa em açúcares, a qual induz os neurónios a alterar a sua fonte de energia habitual, a glucose, para um tipo de subprodutos da gordura, os corpos cetónicos. “Conheci várias crianças cujas vidas alteraram drasticamente com esta dieta”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos líderes do estudo, Gary Yellen. Contudo, até à data, não se conhecia como e por que motivo este tipo de dieta funcionava nos indivíduos epiléticos.

 

De forma a analisar como a alteração do metabolismo poderia proteger o cérebro das convulsões, os investigadores do Dana-Farber Cancer Institute e da Harvard Medical School, nos EUA, decidiram estudar o papel de uma proteína que está envolvida na regulação do metabolismo da glucose, a BAD.

 

O estudo apurou que determinadas modificações na BAD alteravam o metabolismo da glucose para o dos corpos cetónicos, no cérebro. ”Encontrámos o “interrutor” metabólico que tem um papel similar ao da dieta cetónica no cérebro”, revelou um dos investigadores, Giménez-Cassina. Os investigadores também mostraram que estas modificações na BAD protegiam contra as convulsões e que envolviam os canais de potássio das células.

 

Perante estes resultados os autores do estudo acreditam que a proteína BAD pode ser um novo e interessante alvo terapêutico para o desenvolvimento de fármacos antiepiléticos. “A dieta é a forma mais saudável de tratar a epilepsia, mas também a mais difícil. As dietas são, geralmente, difíceis de seguir mas esta dieta cetónica é particularmente difícil. Assim, a identificação de um substituto farmacológico deixaria muitas pessoas felizes”, conclui Gary Yellen.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.