Identificado recetor cerebral envolvido no controlo do apetite

Estudo publicado na revista “Cell”

12 junho 2012
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Investigadores americanos identificaram um recetor cerebral que parece desempenhar um papel importante na regulação do apetite. Esta descoberta publicada na revista “Cell” pode ajudar no desenvolvimento de novos fármacos capazes de prevenir ou tratar a obesidade.

 

Neste estudo, os investigadores da Columbia University Medical Center, nos EUA, focaram a sua atenção numa região do cérebro que controla o apetite, o hipotálamo, para tentar descobrir novos alvos para terapias contra a obesidade. Vários estudos têm sugerido que este mecanismo de regulação se concentra nos neurónios que expressam um neuropeptídeo, denominado por AgRP. Contudo, até à data não eram conhecidos os fatores que influenciavam a expressão deste modulador cerebral.

 

Ao longo do seu estudo os investigadores constataram que tanto a insulina como a leptina estavam envolvidas na manutenção do equilíbrio energético do organismo e inibiam o AgRP. “Verificámos que o bloqueio das vias de sinalização da insulina e da leptina tinham pouco efeito no apetite”, revelou em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Domenico Accili. “Assim, pensamos que talvez as duas vias tivessem de estar bloqueadas simultaneamente de forma a influenciar o comportamento alimentar”, acrescentou o investigador.

 

Para testar esta hipótese, os investigadores criaram uma estirpe de ratinhos cujos neurónios AgRP não apresentavam uma proteína envolvida na sinalização da insulina e leptina. Tal como os investigadores tinham proposto, a ausência da proteína Fox01, teve um grande impacto no apetite dos animais. Os animais que não apresentavam a Fox01 comiam menos e eram mais magros do que os ratinhos de controlo. Adicionalmente, estes animais também apresentavam um melhor equilíbrio nos níveis de glucose e leptina e na sensibilidade à insulina, todos sinais de metabolismo mais saudável, explicou o co-autor do estudo, Hongxia Ren.

 

Uma vez que a Fox01 é um alvo terapêutico fraco, os investigadores procuraram novas formas de inibir a ação desta proteína. Assim, através do perfil de expressão genética, os autores do estudo encontraram um gene, o Gpr17, que é altamente expresso nos ratinhos que apresentam os neurónios AgRP, mas que está silenciado nos animais com neurónios Fox01 não funcionais.

 

De forma a confirmar que este recetor estava envolvido no controlo do apetite, os investigadores injetaram um ativador do Gpr17 em ratinhos, que aumentou o apetite dos animais. Contrariamente, a administração de um inibidor do Gpr17, diminuiu o apetite.

 

De acordo com Domenico Accili, existem várias razões para acreditar que o Gpr17, que também está presente nos humanos, é um bom alvo para o desenvolvimento de fármacos para a obesidade.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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