Identificado possível alvo para vacina contra sífilis

Estudo publicado na revista científica “mBio”

14 junho 2018
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Cientistas identificaram um possível alvo para uma vacina contra a sífilis, divulgou a agência Lusa.
 
A sífilis, uma doença sexualmente transmissível, é a segunda maior causa de abortos espontâneos e nados-mortos no mundo, tem sido difícil de estudar porque, ao contrário de outras patologias provocadas por bactérias, não pode ser reproduzida em laboratório em placas de Petri ou em ratinhos.
 
Além das pessoas, o único animal suscetível à doença é o coelho, que elimina rapidamente a infeção, pelo que novos coelhos têm de ser regularmente infetados para manter ativa uma estirpe da "Treponema pallidum", a bactéria que causa a sífilis.
 
Por outro lado, a bactéria na origem da doença, transmissível por contacto sexual, é muito delicada, sendo por isso difícil de manobrar em laboratório.
 
O estudo conduzido por uma equipa de microbiólogos da Universidade de Connecticut, EUA, analisou geneticamente a bactéria da sífilis recolhida de amostras de doentes da Colômbia, EUA e República Checa, concluindo que as estirpes bacterianas eram bastante semelhantes, com poucas diferenças genéticas.
 
Os cientistas suspeitaram que os poucos genes mutantes da bactéria expressavam o tipo de proteínas que andavam à procura: aquelas que habitualmente estão na membrana externa de uma bactéria e que são a forma de o sistema imunitário reconhecer um invasor bacteriano.
 
Usaram então um programa de modelação computacional para conceber um modelo das proteínas que os genes mutantes expressam e depois produziram-nas em laboratório.
 
Posteriormente, criaram os anticorpos para essas proteínas e verificaram que estes anticorpos atacavam a membrana exterior intacta da bactéria "Treponema pallidum".
 
Finalmente, a equipa partiu da pista dada pelos genes mutantes para procurar e encontrar os genes que codificam para proteínas da membrana exterior da bactéria que nunca se alteram, pois as proteínas que sofrem muitas mutações para se esconder do sistema imunitário não são boas candidatas a uma vacina.
 
Em Portugal, o mais recente Inquérito Serológico Nacional, de 2015-2016, apontou uma prevalência da sífilis em 2,4% dos adultos portugueses com 18 ou mais anos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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