Identificado método para criar memórias de longo prazo

Estudo publicado na revista “Nature”

19 setembro 2016
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Experiências que captam o nosso interesse conduzem à libertação de substâncias químicas no cérebro que promovem a fixação de memórias de eventos que ocorreram antes ou depois da experiência, independentemente da sua relação com esta, revela um estudo publicado na revista “Nature”.
 
Este estudo explica por que é que nos lembramos de determinados eventos da nossa vida com grande clareza, assim como detalhes que não se relacionam com esses eventos mas que estão associados aos mesmos, como, por exemplo, o que estávamos a fazer quando ocorreu o 25 de abril ou o 11 de setembro.
 
A libertação de dopamina através da ativação da região locus coeruleus (LC) no cérebro “aumenta a nossa memória de eventos que acontecem no momento da ativação e podem também melhorar a evocação dessas memórias mais tarde”, esclarece Robert Greene, coautor sénior do estudo, em comunicado.
 
De acordo com o cientista, não são apenas os eventos que mudam uma vida que podem provocar essa libertação de dopamina no cérebro, mas qualquer atividade que capte o nosso interesse ou atenção de forma vincada. Pode ser algo tão trivial como um estudante jogar um novo videojogo numa pausa de estudo para um exame importante ou um executivo jogar uma partida de ténis logo após ter tentado memorizar um discurso relevante.
 
Os cientistas já sabiam que a dopamina desempenha um papel importante no reforço da memória, embora ainda se desconhecesse a origem da dopamina e de que forma a produção desta substância química era ativada.
 
O estudo levado a cabo pelo Centro Médico do Sudoeste da Universidade do Texas, nos EUA, teve por base experiências conduzidas anteriormente por Greene que identificaram o LC como uma das fontes de dopamina no cérebro, para além da área tegmental ventral e da substância negra.
 
A investigação realizada em 120 ratinhos teve como objetivo estabelecer uma relação entre os neurónios do LC e os circuitos neuronais do hipocampo (área do cérebro responsável por registar memórias), que recebem a dopamina do LC.
 
Uma parte do estudo consistiu na colocação dos ratinhos numa arena com o objetivo de estes descobrirem comida escondida na areia. A cada dia, a comida era escondida num local diferente. Os cientistas verificaram que os ratinhos que exploraram uma superfície desconhecida 30 minutos depois de serem treinados para se lembrarem da localização da comida demonstraram lembrar-se melhor do local onde poderiam encontrar a comida no dia seguinte.
 
Este melhor desempenho de memória foi correlacionado com um processo molecular no cérebro através da injeção de um ativador geneticamente codificado e sensível à luz denominado canalrodopsina. Este sensor permitiu ativar de forma seletiva os neurónios do LC que produzem a dopamina para o hipocampo e identificar em primeira mão os neurónios responsáveis pela melhoria da memória.
 
Desta forma, os cientistas descobriram que a ativação dos neurónios marcados com a canalrodopsina através de luz azul (uma técnica denominada optogenética) poderia substituir o efeito provocado por uma nova experiência, enquanto promotora da memória nos ratinhos. Além disso, os investigadores deram conta que esta ativação poderia provocar um reforço direto e duradouro das ligações sinápticas, uma melhoria de comunicação relevante para a memória que ocorre no ponto de união dos neurónios no hipocampo. De acordo com os cientistas, este processo poderá mediar a melhoria tanto da aprendizagem como da memória.
 
No futuro os cientistas esperam poder analisar o impacto que estes achados podem ter na aprendizagem humana e se poderá ajudar a compreender de que forma se desenvolvem problemas de memória e como se poderá direcionar melhor as terapias para esses problemas.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
 
 
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