Identificado marcador genético de risco de diabetes tipo 2 e Alzheimer

Estudo publicado no “Molecular Aspects of Medicine”

29 julho 2015
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Determinados pacientes com diabetes tipo 2 podem apresentar fatores de risco genéticos específicos que os coloca em maior risco de desenvolver Alzheimer, revela um estudo levado a cabo pela Escola de Medicina Icahn do Hospital Monte Sinai, nos EUA.
 
Cientistas norte-americanos usaram os achados recentes do estudo de associação de Genoma Completo (GWAS, sigla inglesa) para investigar se a diabetes tipo 2 e a doença de Alzheimer possuíam fatores genéticos etiológicos em comum e o potencial impacto desses mesmos fatores ao nível de mecanismos celulares e moleculares que podem contribuir para o desenvolvimento de ambas as doenças.
 
O GWAS analisa as diferenças em vários pontos do código genético para verificar se, numa determinada população, uma ou mais alterações no código se encontram com maior frequência em indivíduos com determinadas características (por exemplo, elevado risco de uma doença). Mesmo as variações genéticas mais pequenas, denominadas polimorfismos de nucleotídeo único (SNP, sigla inglesa), podem ter grande impacto se se trocar apenas uma das 3,2 mil milhões de “letras” que compõem o código do ADN humano.
 
Uma das complicações a longo prazo da diabetes tipo 2 é o aumento do risco de Alzheimer. Apesar de estudos anteriores haverem sugerido que a diabetes estaria implicada no início e progressão da demência por Alzheimer, o mecanismo que explicava a ligação entre as duas doenças permanecia por esclarecer.
 
“Identificámos várias diferenças genéticas em termos de SNP associadas a maior suscetibilidade de desenvolver diabetes tipo 2 assim como doença de Alzheimer”, revela um dos autores do estudo, Giulio Maria Pasinetti, em comunicado de imprensa. “Muitos destes SNP são de genes cujas anomalias são conhecidas por contribuir para a diabetes tipo 2 e para a doença de Alzheimer, sugerindo que determinados pacientes diabéticos com estas diferenças genéticas encontram-se em elevado risco de desenvolver Alzheimer. Os nossos dados sublinham a necessidade de explorar em maior pormenor a suscetibilidade genética para a doença de Alzheimer em pacientes com diabetes tipo 2”, acrescenta.
 
Têm surgido evidências crescentes de que a demência por Alzheimer tem origem em patologias como a diabetes tipo 2 e com início décadas antes dos primeiros sintomas de Alzheimer. Visto que a diabetes tipo 2 é um dos fatores de risco para Alzheimer potencialmente modificáveis, é importante que os cientistas sejam capazes de descobrir a genética desta ligação complexa de forma que novas intervenções terapêuticas possam ser desenvolvidas e orientadas para os indivíduos em risco de diabetes tipo 2 antes do início da demência por Alzheimer.
 
Este estudo irá apoiar investigações que explorem a suscetibilidade genética em pacientes com diabetes tipo 2 para o desenvolvimento de doença de Alzheimer e ajudar a conceber melhores tratamentos para uma subpopulação de pacientes com diabetes tipo 2 com predisposição genética para Alzheimer. Isto pode beneficiar indivíduos com diabetes tipo 2 e reduzir o risco de desenvolvimento subsequente de Alzheimer.
 
Os resultados destes estudos dedicados a encontrar anomalias celulares comuns à diabetes tipo 2 e à doença de Alzheimer podem conduzir ao desenvolvimento de tratamentos para a diabetes tipo 2 que ajudem também a prevenir o subsequente desenvolvimento de Alzheimer em indivíduos com predisposição genética.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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