Identificado gene que pode susceptibilizar para o cancro da mama
22 abril 2002
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Um grupo internacional de investigadores identificou um gene que, em caso de mutação, pode levar a um aumento, embora modesto, do risco de cancro da mama.
 

 

O gene alterado, denominado CHEK2 ou CHK2, pode duplicar a percentagem, actualmente estimada em 13 por cento, de sofrer de cancro da mama que as mulheres norte-americanas enfrentam ao longo da sua vida, dizem os investigadores.
 

 

No entanto, cerca de um por cento das pessoas, tanto homens como mulheres, têm este gene alterado.
 

 

O facto de se ser portador não significa necessariamente que a pessoa está destinada a desenvolver cancro da mama, sublinharam os cientistas. Neste caso, o risco é comparável ao que enfrentam as mulheres que têm a mãe ou a irmã com cancro da mama, que nunca tiveram filhos ou que experimentaram a menopausa numa idade tardia.
 

 

Segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2000 o cancro da mama afectou cerca de 35 em cada 100.000 mulheres em todo o mundo, sendo que nos países desenvolvidos estes valores são muito mais elevados do que nas nações menos desenvolvidas.
 

 

"O CHK2 não é algo que as pessoas devam testar", disse Michael Stratton, do Instituto de Investigação do Cancro, em Londres.
 

 

Stratton é o co-autor do estudo que explica os detalhes da descoberta e que foi publicada domingo na edição on line da revista Nature Genetics.
 

 

De acordo com o estudo, o gene aumenta igualmente em dez vezes o risco de cancro da mama nos homens. No entanto, este tipo de cancro continua a ser extremamente raro nos homens, representando menos de 1 por cento de todos os casos de cancro da mama.
 

 

Um par de genes conhecidos por BRCA1 e BRCA2 continuam a ser os únicos ligados a um aumento significativo do risco de cancro da mama.
 

 

Os portadores desses genes enfrentam um risco de desenvolver formas herdadas de cancro próximo dos 85 por cento.
 

 

No estudo, um grupo internacional de investigadores conduzido por equipas no Reino Unido e na Holanda estudou 1.071 pacientes com cancro da mama que tinham uma história familiar da doença, mas que não tinham herdado o BRCA1 ou o BRCA2.
 

 

As suas histórias foram comparadas com um grupo de 1.620 indivíduos.
 

 

No grupo dos pacientes, 5,1 por cento das mulheres e 13,5 por cento dos homens tinham herdado a versão alterada do CHK2, comparando com a percentagem geral de 1,1 por cento registada no grupo de controlo.
 

 

O facto de se ser portador do CHK2 deficiente não aumentou o risco de cancro nas mulheres que tinham também versões anormais do BRCA1 e do BRCA2, dizem os investigadores.
 

 

Os cientistas acreditam que cópias saudáveis dos três genes estão envolvidas nas reparações genéticas que ocorrem a nível celular.
 

 

Kenneth Offit, do Centro para o Cancro Sloan-Kettering Memorial, em Nova Iorque, sublinhou que estas descobertas têm uma relevância limitada ao tratamento clínico do cancro do mama.
 

 

"Apesar destas descobertas terem importância científica, o seu uso para o tratamento de doentes limita-se ao seu relativo baixo poder de previsão nos testes, quando comparado com outros marcadores conhecidos, como, por exemplo, as mutações do BRCA", disse Offit, que não esteve envolvido no estudo.
 

 

Fonte: Lusa

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