Identificado gene associado ao consumo de álcool

Estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”

07 abril 2011
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Cientistas identificaram um gene, o AUTS2, que parece desempenhar um papel importante na quantidade de álcool ingerido, sugere um estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

Já era conhecido que o consumo de álcool é parcialmente determinado pelos genes. No entanto, até ao momento, o único gene que se sabia contribuir para o consumo excessivo de álcool é um que codifica para a álcool desidrogenase, uma enzima que decompõe o álcool no fígado.
 

Para este estudo internacional, que foi liderado por investigadores do Imperial College London e do King's College London, no Reino Unido, foram analisadas amostras de ADN provenientes de 26 mil voluntários para identificar os genes que poderiam afectar o consumo de álcool. Os dados foram mais tarde confirmados noutros 21 mil indivíduos, os quais também responderam a questionários para a avaliação do seu consumo de álcool.
 

Os investigadores descobriram que havia duas variantes do gene AUTS2 (autism susceptibility candidate 2), o qual já tinha sido previamente associado ao autismo e ao défice de atenção, sendo que uma dessas variantes era três vezes mais comum do que a outra. Os indivíduos que apresentavam a variante menos comum bebiam, em média, 5% menos álcool do que os que apresentavam a variante mais comum.
 

Após a sua identificação, os investigadores analisaram o grau de actividade do gene nas amostras de tecido cerebral. O estudo revelou que o gene estava mais activo nas pessoas que apresentavam a variante menos comum do gene, associada ao menor consumo de álcool. Constatou-se ainda que o gene se encontrava mais activo em regiões do cérebro associadas a mecanismos neurofisiológicos de recompensa. Isto sugere que esse gene poderá desempenhar um papel na regulação do reforço positivo que as pessoas sentem quando consomem álcool.
 

Os cientistas avaliaram também estirpes de ratinhos que haviam sido selectivamente cruzadas de acordo com a quantidade de álcool que bebiam voluntariamente. O estudo revelou diferenças nos níveis de actividade do gene AUTS2 nas estirpes de ratinhos que bebiam quantidades de álcool distintas. Estes e outros resultados apontados no estudo indicam que AUTS2 parece estar envolvido na regulação do consumo de álcool em diferentes espécies.
 

De acordo com os autores do estudo, estes resultados poderão ajudar a encontrar tratamentos mais eficazes para o alcoolismo.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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