Identificado fator que pode desencadear diabetes tipo 1

Estudo publicado na revista “Science”

16 fevereiro 2016
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Investigadores americanos identificaram uma nova classe de antigénios que pode contribuir para o desenvolvimento da diabetes tipo 1, refere um estudo publicado na revista “Science”.

 

A diabetes tipo 1 é uma doença autoimune na qual as células beta produtoras de insulina do pâncreas são destruídas pelas células do sistema imunológico, especialmente os linfócitos T. A insulina é a hormona que regula os níveis de glucose no sangue e sem ela desenvolve-se a doença que pode colocar a vida em perigo. Atualmente não existe cura para a diabetes tipo 1.

 
Os antigénios para os linfócitos T são fragmentos proteicos, peptídeos, que têm de ser reconhecidos e apresentados aos linfócitos pelas células apresentadoras de antigénios. Habitualmente, os linfócitos TCD4 respondem a antigénios estranhos, como os peptídeos virais. Contudo, no âmbito das doenças autoimunes os linfócitos T respondem a antigénios produzidos pelo próprio organismo. Estas proteínas e peptídeos são conhecidos por autoantigénios.
 
Quando os linfócitos T autoreativos encontram o seu antigénio são ativados e podem iniciar a doença. Ao identificar esses antigénios, os investigadores poderão ser capazes de utilizar essa informação para detetar precocemente linfócitos T autoreativos ou os indivíduos que têm risco elevado de doença. Deste modo, se forem capazes de utilizar os antigénios para inativar os linfócitos T destruidores, poderá ser possível prevenir a doença.
 
Neste estudo, os investigadores da Escola de Medicina da Universidade do Colorado, nos EUA, analisaram frações de células beta que continham antigénios para os linfócitos TCD4 autoreativos de forma a identificar autoantigénios na diabetes tipo 1.
 
Os investigadores identificaram uma nova classe de antigénios que consistem em fragmentos de insulina fundidos com peptídeos e outras proteínas presentes nas células beta. Esta fusão conduz à produção de peptídeos de insulina híbridos que não são codificados pelo genoma de um indivíduo.
 
No caso de os peptídeos no organismo serem modificados, estes tornam-se estranhos para o sistema imunológico, o que pode explicar por que motivo se tornam alvos dos linfócitos T autoreativos. A descoberta dos peptídeos híbridos como alvos do sistema imunológico explica como o sistema imunológico é enganado e acaba por destruir as suas próprias células beta.
 
Na opinião dos autores do estudo esta descoberta pode conduzir ao um melhor conhecimento de outras doenças autoimunes.

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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