Identificado composto que poderá reverter as cataratas

Estudo publicado na revista “Science”

10 novembro 2015
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Investigadores americanos identificaram um composto que pode potencialmente ser utilizado em gotas oftálmicas para reverter as cataratas, dá conta um estudo publicado na revista “Science”.
 
As cataratas, uma doença que afeta mais de 20 milhões de pessoas em todo o mundo, ocorre quando as lentes dos olhos perdem a transparência. Esta é uma doença essencialmente associada ao envelhecimento e tal como noutras condições neurodegenerativas, incluindo a doença de Alzheimer ou Parkinson, é caracterizada pela conformação incorreta e aglomeração de determinadas proteínas. No caso das cataratas as proteínas afetadas são conhecidas como proteínas do cristalino.
 
Estas proteínas são o principal componente das células das fibras do cristalino, que formam as lentes do olho. Contudo, as propriedades únicas destas células tornam-nas particularmente suscetíveis a danos. De forma às lentes do olho funcionarem corretamente, este reservatório finito de proteínas do cristalino tem de manter a transparência das células das fibras e a sua flexibilidade.
 
Para que as proteínas do cristalino sejam capazes de levar a cabo as suas funções necessitam da ajuda de outras proteínas que as mantêm na sua forma solúvel. No entanto, a conformação que as proteínas do cristalino adquirem quando estão aglomeradas (forma amiloide) é mais estável do que a conformação saudável.
 
Neste estudo os investigadores da universidades da Califórnia, Michigan e Washington, nos EUA, decidiram explorar a diferença crucial entre a conformação correta destas proteínas e a sua forma amiloide. Uma vez que o ponto de fusão da forma amiloide é maior que a forma normal das proteínas, os investigadores tentaram encontrar químicos capazes de diminuir o ponto de fusão da forma amiloide.
 
Após terem começado com 2.450 compostos, os investigadores focaram-se no “composto 29” e verificaram que este era capaz de estabilizar as proteínas do cristalino e impedir que estas se aglomerassem. O estudo apurou que o composto 29 era capaz de dissolver os aglomerados proteicos já formados.
 
Os investigadores também testaram o composto numa formulação de gotas oftálmicas em ratinhos que tinham mutações que os predisponha a desenvolver cataratas. Verificou-se que as gotas foram capazes de restaurar parcialmente a transparência das lentes dos animais afetados com a condição.
 
A aplicação destas gotas a ratinhos que naturalmente desenvolviam cataratas conduziu a resultados semelhantes. O mesmo ocorreu quando o composto foi aplicado no tecido de lentes humanas afetadas pelas cataratas.
 
Apesar de estes serem resultados promissores, os autores do estudo referem que ainda é necessário realizar ensaios clínicos para validar se o composto 29 é capaz de melhorar a visão dos humanos com cataratas. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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