Identificada mutação associada aos comportamentos autistas

Estudo publicado no jornal “Cell Reports”

02 junho 2015
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Investigadores americanos identificaram os mecanismos envolvidos numa mutação genética que produz determinados comportamentos autistas em ratinhos, bem como uma estratégia terapêutica capaz de restaurar o comportamento normal, dá conta um estudo publicado na revista “Cell Reports”.
 

O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Bufalo, nos EUA, centrou-se na perda de um gene denominado por Shank3, um conhecido fator de risco dos transtornos do espetro autista. Os investigadores descobriram como este fator de risco interrompe a comunicação entre os neurónios conduzindo a défices sociais nos ratinhos. Foram também capazes de reverter estas interrupções neuronais, tendo conseguido restaurar o comportamento dos ratinhos.
 

Estudos anteriores já haviam indicado que aproximadamente 84% dos indivíduos com a deleção no gene Shank3 ou a perda da funcionalidade do gene tinha um transtorno do espetro autista. Contudo, não se sabia como isto ocorria.
 

O estudo liderado por Zhen Yan defende que os ratinhos com uma deficiência no gene Shank3 tinham um interesse bastante reduzido no estímulo social, ou seja, relativamente a outros animais e em comparação com objetos inanimados. Estes resultados sugerem défices sociais severos.
 

Os investigadores descobriram que a deficiência no gene Shank3 desempenha um papel importante na forma como os neurónios comunicam. Verificou-se que esta tem um efeito significativo na ativação do recetor N-metil-D-aspartato (NMDA), o qual é fundamental para a aprendizagem e memória.
 

De acordo com Zhen Yan, a deficiência no gene Shank3 altera o tráfico deste recetor bem como a sua função em locais de transmissão importantes no cérebro. Esta alteração resulta da desregulação dos filamentos de actina, que atua como um tipo de “autoestrada” celular no córtex pré-frontal do cérebro, o centro de comando das funções executivas de “elevado nível” e uma região-chave envolvida nos transtornos do espetro autista
 

Este estudo é o primeiro a demonstrar que, em animais, a regulação anormal da actina causa comportamentos semelhantes ao autismo. “Os filamentos de actina são estruturas muito dinâmicas que estão constantemente a ser agregadas e desagregadas, um processo que é controlado por vários reguladores. Quando algo altera o equilíbrio da agregação do filamento de actina são destruídas funções celulares chave”, refere o investigador.
 

Na presença da deficiência do gene Shank3, verificou-se que a expressão ou atividade de alguns reguladores de actina, tais como a cofilina, é alterada. Isto perturba o equilíbrio da agregação dos filamentos de actina que, por sua vez, afeta o NMDA tal como outros recetores importantes. Isto resulta num efeito significativo na plasticidade funcional da sinapse, que por sua vez conduz a manifestações de alguns comportamentos autistas.
 

Contudo, os investigadores foram capazes de reverter este processo, restaurando o comportamento dos ratinhos deficientes no gene Shank3, quando a atividade da cofilina ou dos outros reguladores voltou ao normal. Isto, por sua vez, restaurou a dinâmica da actina nas sinapses corticais, permitindo o tráfico normal e funcionamento dos recetores de NMDA.
 

Os investigadores observaram que quando os filamentos de actina e recetores NMDA voltaram ao normal, os défices de interação social e o comportamento repetitivo dos ratinhos deficientes no gene Shank3 foram resgatados. Estes resultados sugerem assim uma estratégia terapêutica promissora para o tratamento do autismo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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